sábado, 6 de maio de 2017

Lula sabia de tudo, diz delator

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque afirmou ontem sexta-feira (05) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "tinha pleno conhecimento de tudo, tinha o comando" do esquema de corrupção instalado na estatal petrolífera. A declaração foi dada em depoimento ao juiz Sérgio Moro, na primeira vez em que o ex-executivo, que é candidato a delator, falou sobre as irregularidades na empresa.
 Duque disse a Moro que teve três encontros pessoais com Lula, o último em 2014, em um hangar do Aeroporto de Congonhas, quando a Operação Lava Jato já estava nas ruas. "(No encontro) Ele me perguntou se eu tinha uma conta na Suíça com recebimentos da empresa SBM", afirmou Duque.

Segundo Duque - preso na Lava Jato e condenado a mais de 57 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro em quatro ações penais -, Lula teria dito que a então presidente Dilma Rousseff "tinha recebido informação que um ex-diretor da Petrobras teria recebido dinheiro numa conta na Suíça da SBM (empresa holandesa que tinha contratos com a estatal)". "Eu falei não, não tenho dinheiro da SBM nenhum, nunca recebi dinheiro da SBM. Aí ele vira para mim e fala assim: 'Olha, e das sondas, tem alguma coisa?' E tinha né, (mas) eu falei não, também não tem." 

Segundo ele, Lula então fez um alerta: "'Olha, preste atenção no que vou te dizer: se tiver alguma coisa (no exterior) não pode ter, entendeu? Não pode ter nada no teu nome'. Eu entendi, mas o que eu ia fazer? Não tinha mais o que fazer. Aí ele falou que ia conversar com a Dilma, que ela estava preocupada com esse assunto e que ia tranquilizá-la", afirmou Duque. "Nessas três vezes ficou claro, muito claro para mim, que ele tinha pleno conhecimento de tudo, tinha o comando", acrescentou o ex-diretor.

Duque ocupou o cargo estratégico na estatal petrolífera por indicação do PT de 2003 a 2012. Foi o próprio ex-diretor quem pediu para ser novamente ouvido por Moro após ficar em silêncio em depoimentos anteriores.

Segundo Duque, nos encontros que teve com Lula, o ex-presidente sempre o questionava sobre contratos da estatal, mesmo após ele ter saído do cargo.

"(No encontro de 2012) Ele (Lula) começou a fazer algumas perguntas sobre a questão das sondas, uma delas porque não tinha sido aprovado ainda. 'Presidente, eu não sei responder, eu estou fora da empresa'", disse. "Aí, teve um segundo encontro que, da mesma maneira, ele fez perguntas sobre sondas, porque não estava recebendo até então, em 2013. Eu não soube responder."

Segundo o ex-diretor da estatal, o sistema de contribuições na Petrobras era institucionalizado e ocorria sempre nos grandes contratos, com valores superiores a R$ 100 milhões. "Quando existia um contrato, seja ele qual fosse o contrato, em que corria uma licitação normal, o partido ou normalmente o tesoureiro do partido procurava a empresa e pedia contribuição. E a empresa normalmente dava porque era uma coisa institucionalizada", afirmou. "Todos sabiam. 

Todos do partido, desde o presidente do partido, o tesoureiro, secretário, deputados, senadores, todos sabiam que isso ocorria."
Ao depor ontem ao juiz Sergio Moro, Renato Duque se disse arrependido das "ilegalidades" que cometeu enquanto ocupou o cargo de diretor da Petrobras, mas afirmou estar disposto a pagar por seus erros.

"Quero pagar pelas ilegalidades que eu cometi. Se for fazer uma comparação com o teatro, da situação que a gente vive, sou um ator, tenho papel de destaque nessa peça, mas não sou nem o diretor, nem o protagonista dessa história." Ele afirmou ainda que quer "passar essa história a limpo".

O Instituto Lula criticou o “vazamento seletivo” de depoimentos. “Estranhamente, veículos da imprensa e da blogosfera vinham antecipando o suposto teor dos depoimentos, sempre com o sentido de comprometer Lula”, afirma o texto. “O que assistimos nos últimos dias foi mais uma etapa dessa desesperada gincana, nos tribunais e na mídia, em busca de uma prova contra Lula, prova que não existe na realidade e muito menos nos autos.

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