quinta-feira, 6 de julho de 2017

Dilma diz que história foi 'severa e implacável' com Temer, Aécio e Cunha

Em evento de posse da senadora Gleisi Hoffmann (PR) para presidente nacional do PT, a ex-presidente Dilma Rousseff criticou o que chamou de "lideranças do golpe" e disse que a história foi "severa e implacável" com figuras como o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), além do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), que está preso. A petista também disse, na noite de ontem quarta-feira, em Brasília, que o impeachment "caminha a passos largos para a ruína".

— A história está sendo severa e implacável para com os líderes do golpe, e todos aqueles que sustentaram o golpe: Aécio, Temer, Cunha e todos aqueles que buscaram o impeachment para destruir direitos sociais, para estancar a sangria e ao mesmo tempo para implantar no nosso Brasil todo um processo de desconstrução dos direitos que tínhamos deixado como legado - disse Dilma, acrescentando ainda que, se durante o impeachment o uso da expressão "golpe" era "mera especulação", hoje "é um fato".

Último a discursar no evento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil chegou "ao fundo do poço" sob a gestão de Michel Temer.

— Chegamos ao fundo do poço, e quando um poço seca no Nordeste ele vai voltar a dar água, mas vai demorar para caramba — disse Lula, acrescentando:

— Do jeito que está a economia, a política fiscal, caindo arrecadação nesse país, desemprego, eles podem até anunciar crescimento, mas vai ser difícil a volta da geração de emprego nesse país.

LULA DIZ QUE MAIA É 'SEGUIDOR DO GOLPE'

O petista afirmou ainda que "não admite" que se diga que o PT não apoia o combate à corrupção. Segundo ele, o partido é contra aqueles que fazem "pirotecnia" em vez de apurar eventuais ilícitos cometidos.

— Não admito alguém dizer que o PT é contra o combate à corrupção, somos contra é que se deixe de apurar corrupção e faça pirotecnia, achando que são os donos da verdade — criticou.

Entre críticas a Aécio Neves e à imprensa, Lula afirmou ainda que, se os seus adversários quiserem assumir o país de forma legítima, "que ganhem no voto". Diante da crise política que enfrenta o governo Temer, o ex-presidente disse que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) - que assume a cadeira da presidência caso Temer seja afastado - já "está se preparando" para ocupar o lugar de Temer, mas que "golpista é golpista":

— Certamente Rodrigo Maia já deve estar se preparando para ser o próximo presidente da República, o seguidor do golpe, e não podemos achar que um golpista é melhor do que outro. Golpista é golpista — criticou.

Em seu discurso, a ex-presidente Dilma também saudou a presença do senador Roberto Requião (PMDB-PR) no palco - ocupando lugar de destaque, logo atrás do ex-presidente Lula - e disse que "jamais esquecerá" a fala do correligionário de Temer quando o impeachment chegou ao Senado.

— Meu querido Roberto Requião, jamais vou esquecer as três palavras do Requião, que começa o discurso no dia que estava sendo julgado o meu impeachment: "canalhas, canalhas, canalhas", talvez um dos mais bonitos discursos do nosso Senado — afirmou a petista, sendo aplaudida por militantes do PT.

'LIBERDADE PARA VACCARI', GRITAM MILITANTES

No dia em que a Justiça negou liminar para soltar o ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, militantes do PT demonstraram apoio ao petista. Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas pediu liberdade para Vaccari, segundo ele "preso injustamente".

"Liberdade para Vaccari", gritaram militantes em coro, incensados pelo presidente da CUT. Também houve elogios a Jose Genoino e a José Dirceu, que chegou até a enviar uma mensagem de apoio a Gleisi escrita de próprio punho.

O ex-ministro da Casa Civil, que estava preso desde 2015, teve a prisão revogada em maio deste ano. Em sua mensagem, Dirceu parabeniza a senadora, que é a primeira mulher a assumir o posto de presidente nacional do PT, e diz que, juntos, vão lutar pelo legado e pelo "mandato popular soberano que foi usurpado pelos golpistas".

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