segunda-feira, 24 de julho de 2017

Pará garante cinco medalhas no Campeonato Regional Norte de Bocha Paralímpica

Foram dois dias de competição regada a muitas histórias de superação. As finais do Campeonato Regional Norte de Bocha Paralímpica, realizadas sãbado (21) no Sesi Ananindeua, foram pura emoção. A cada jogada, a torcida vibrava. O Pará fez bonito e subiu ao pódio em todas as quatro categorias da competição, conquistando dois ouros, duas pratas e um bronze. Já o Acre levou dois ouros e uma prata e Rondônia ficou com uma prata e dois bronzes.
Na categoria BC1, o atleta da Associação Paralímpica de Marabá, Lucas Melquides, garantiu a prata e o troféu de destaque masculino da competição. Na categoria BC2, o ouro foi para a atleta, também de Marabá, Jennifer Viana, e o bronze ficou com o paraense Joel Madeira, da Equipe Clube Paralímpico Superação.

Aos 23 anos, Jennifer já conquistou várias medalhas nos campeonatos escolares de Bocha, mas esse é o primeiro ouro da atleta em um regional e ela vai continuar treinando para fazer bonito na etapa nacional, que será realizada em dezembro deste ano, em São Paulo. O técnico dela, que é professor de educação física e iniciou a jovem no esporte paralímpico, ficou emocionado com a vitória.

 “Começamos a treinar no final de 2011, quando ela era aluna da Escola Estadual Anísio Teixeira, lá em Marabá, e é muito gratificante ver o desenvolvimento dela na bocha”, contou Ari dos Reis.

Jennifer tem paralisia cerebral e conta que frequenta um cursinho popular na cidade para prestar vestibular. “Eu quero ser universitária e estou estudando para cursar sistema de informações”, disse.

Na categoria BC3, a paraense Dayane Victória Espíndola, 15 anos, levou a prata e o troféu de destaque feminino da competição. No ano passado ela foi premiada com o Troféu Romulo Maiorana, na categoria atleta com deficiência. Nas disputas do Paralímpico Escolar, realizado em 2015 na cidade de Natal (RN), Dayane conquistou a medalha de ouro.

E na categoria BC4 o atleta do Pará, Luiz Gustavo Andrade, de 16 anos, conquistou o primeiro ouro no esporte, como havia prometido. Ele já tinha conquistado medalhas de prata e de bronze em campeonatos nacionais estudantis, mas a emoção da medalha dourada foi especial. “Fico até sem palavras para dizer o quanto essa conquista é importante para mim. É muito emocionante e vou em busca de mais medalhas. Quero ser um atleta profissional, conquistar muitas medalhas para o Pará e, quem sabe representar o Brasil em campeonatos fora do país”.

Esperto e falante, Luiz Gustavo nasceu com Artrogripose, que é uma má formação das articulações ocasionando limitação de movimento e menor força muscular. Foi o esporte que o ajudou a ultrapassar algumas barreiras da doença congênita e rara. “A bocha ajudou muito no meu desenvolvimento motor. Agora tenho mais força para arremessar a bola e tenho certeza que posso evoluir muito mais”, contou.

A competição, realizada pela Associação Nacional de Desporto Paralímpico (Ande), teve o apoio do Governo do Estado, por meio do Núcleo de Articulação e Cidadania (NAC) e do Plano Estadual de Ações Integradas à Pessoa com deficiência (Existir), em parceria com a Polícia Militar e as Secretarias de Estado de Esporte e Lazer (Seel), de Saúde (Sespa), de Educação (Seduc) - via Núcleo de Esporte e Lazer (NEL) - e de Assistência Social, Trabalho Emprego e Renda (Seaster).

“Foi um sucesso a competição. Estamos em uma nova gestão e profissionalizando cada vez mais o esporte. Estamos deixando bem claro que a região Norte é tão importante como qualquer outra e que não estava sendo valorizada. E o apoio do Governo do Pará foi imprescindível para que tudo desse tão certo”, disse o presidente da Ande, Artur Cruz.
Segundo a diretora do NAC, Daniele Kayath, o Pará é um celeiro de atletas paralímpicos. “A gente sente a satisfação de todos que participaram. 

É muito bom ver tantos atletas e o esforço que todas as pessoas fizeram para estar aqui. Estamos vendo nossos atletas se destacarem e o Governo vai continuar apoiando e incentivando”, disse.

Os dois primeiros lugares de cada categoria garantiram vaga para o campeonato brasileiro, que será realizado em dezembro, no estado de São Paulo. O Pará é o maior expoente na região Norte quando o assunto é a prática do esporte adaptado. Um estudo feito pela Seel apontou a existência de 21 entidades desportivas filiadas às confederações brasileiras e federações estaduais, que atuam em 22 modalidades, sendo 17 paralímpicas.

De acordo com o mapeamento, no Pará existem entidades paradesportistas registradas nos municípios de Acará (1), Altamira (1), Belém (10), Bragança (1), Marabá (1), Paragominas (1), Parauapebas (3), Santarém (2), Santana do Araguaia (1) e Tucuruí (1).

Plano Existir
Lançado pelo Governo do Pará em 2012, e atualmente vinculado ao NAC, o Plano Existir assumiu o compromisso de garantir ações a partir dos eixos saúde, educação, acessibilidade e inclusão social, para a promoção dos direitos fundamentais da pessoa com deficiência.

São integrantes do Comitê Gestor do Plano Existir 17 órgãos públicos: Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon); Companhia de Habitação do Pará (Cohab); Escola de Governança do Estado (EGPA); as Fundações Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), Carlos Gomes e Cultural do Pará (FCP); NAC; Universidade do Estado do Pará (Uepa); Defensoria Pública; Polícia Militar e as Secretarias de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet), de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedop), de Educação (Seduc), de Esporte e Lazer (Seel), de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e de Saúde Pública (Sespa).
Por Erika Torres Agência Pará

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