quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Desmatamento na Amazônia cai 21%

O desmatamento na Amazônia Legal caiu 21% em um ano, interrompendo uma curva de crescimento após cinco anos. É o que mostram os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados ontem. Entre agosto de 2016 e julho de 2017, período chamado de calendário de desmatamento e utilizado como parâmetro de medição por conta das condições climáticas locais, o desmatamento acumulado na área foi de 2.834 km² - isso equivale, no entanto, a quatro cidades de Salvador em área destruída. Trata-se de um índice menor apenas que o do ano passado (3.580 km²) e retrasado (3.323 km²) na série histórica.

Todos os estados da Amazônia Legal apresentaram queda no total das áreas desmatadas. A maior baixa foi encontrada no Tocantins, onde o desmatamento diminuiu 54%.
Mato Grosso e Pará, os “campeões” históricos de desmatamento, também apresentaram quedas, mas seguem com taxas elevadas de áreas destruídas.

No caso de Mato Grosso, a diferença entre os dois anos foi de 15% – passou de 949,3 km² desmatados para 809,6 km². Proporcionalmente, porém, o desmatamento do estado, levando em conta seus vizinhos da região, cresceu. Entre agosto de 2015 e julho de 2016, Mato Grosso foi responsável por 26,5% do desmatamento total da Amazônia Legal. Nos 12 meses seguintes, o percentual subiu para 28,6%.

Já o Pará teve queda tanto no número absoluto de quilômetros quadrados desmatados (31% de queda) quanto na proporção total (passou de 28,8% para 25,2%). Como o estado apresenta números elevados de desmatamento (1.030,3 km² em 2015/2016 e 713,8 km² em 2016/2017), a sua queda é a mais representativa, segundo o Imazon.

“Pará e Mato Grosso sempre foram dois estados que ‘competiam’ para ver quem desmatava mais. São os estados que têm mais atividades que exercem pressão na floresta. Mato Grosso tem histórico de cultivo de grãos e pastagem, e, no Pará, há as obras de infraestrutura, de hidrelétrica, de rodovias”, afirma Antônio Victor, pesquisador do Imazon e um dos coordenadores do Boletim do Desmatamento.
“Como o Pará é um dos estados que historicamente mais desmatam, a sua queda puxou a redução nacional.”

Segundo o pesquisador, como os dados do calendário do desmatamento 2016/2017 foram fechados nesta semana, o instituto ainda não conseguiu fazer um trabalho de análise e em campo para identificar o que motivou as quedas nos estados e na Amazônia Legal como um todo. Por isso, trabalha apenas com as bases estatísticas para indicar as tendências de desmatamento na região.

Metodologias
O monitoramento do Imazon é feito paralelamente ao oficial, que é o do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal), do Inpe. Os dados oficiais de 2016/2017 ainda não foram divulgados.
As metodologias são distintas (os satélites utilizados para a medição diferem) e os números dos sistemas, por serem gerados com métodos diferentes, não podem ser comparados entre si.

O Imazon utiliza imagens do sensor Modis, que identifica desmatamentos com mais de 10 hectares de tamanho (já considerados grandes desmatamentos). A vantagem, segundo o pesquisador do instituto, é que o sensor consegue contornar bem a cobertura de nuvens, já que disponibiliza imagens diariamente. Já o Prodes utiliza imagens de vários satélites e identifica desmatamentos menores, mas disponibiliza imagens com menos regularidade, o que dificulta a execução de boletins mensais.

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