segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Proprietário de embarcação será indiciado nesta segunda-feira

A Polícia Civil vai indiciar nesta segunda-feira (28), Alcimar Almeida da Silva, 41, proprietário da empresa dona da embarcação “Capitão Ribeiro”, que naufragou na noite do último dia 22, no rio Xingu, sudoeste paraense. O acidente deixou 23 mortos. Alcimar deve responder pelo crime de perigo à navegação e desastre que resultou em morte, artigos 261 e 63, respectivamente, do Código Penal Brasileiro. “Estamos analisando as informações para ver o melhor caminho que o inquérito irá levar”, disse o delegado Elcio de Deus, que conduz a investigações.

O empresário deve ser responsabilizado pelas mortes de 23 pessoas de um total de 53, computados pela Defesa Civil do Estado. Todos estavam a bordo da embarcação, que segundo o depoimento de Alcimar, apresentava um peso total de sete toneladas. Um carro pequeno, duas motocicletas, além de vários itens alimentícios como frango e peixe, sobretudo, estavam entre as mercadorias.  

Além de ser convocado a prestar novas informações referentes ao inquérito, o proprietário já está obrigado a posicionar a embarcação para ser submetida ao trabalho de perícia científica, o que deve acontecer ainda esta semana. 

O dono da embarcação prestou depoimento à Polícia Civil na manhã de sexta-feira (25) e entrou em contradição com as informações que tinha repassado para a Marinha do Brasil logo após a tragédia. No dia do naufrágio ele declarou que levava apenas dois passageiros, mas na manhã de hoje ele confirmou que transportava cerca de 50 pessoas e que não tinha controle de quantas pessoas embarcavam em Santarém.  

Ele acrescentou ainda que fez um trajeto muito maior do que o autorizado pela Marinha. Logo após o acidente foi estimado que 70 pessoas estariam a bordo, mas até hoje a polícia trabalhava com o número de 52 pessoas. 

Buscas
Com a localização de dois corpos e dois sobreviventes na última sexta-feira (25), a equipe de Segurança Pública do Estado encerrou as buscas por vítimas do naufrágio da embarcação. Foram três dias de intenso trabalho no rio Xingu, entre Porto de Moz e Senador José Porfírio. A tragédia resultou na morte de 23 pessoas e os sobreviventes somaram 29. Duas crianças foram encontradas sem vida no porão da embarcação, enquanto os dois últimos desaparecidos foram resgatados com vida por ribeirinhos e localizados.

Os corpos irmãos de oito e três anos, que eram de Porto de Moz, foram encontrados no porão do navio, puxado à superfície ontem. Já os dois últimos sobreviventes foram localizados nas cidades de Vitória do Xingu e Uruará. Israel da Silva Souza foi resgatado por moradores de uma comunidade ribeirinha e levado para a Vitória do Xingu, onde recebeu atendimento e, por conta própria, seguiu para Santarém. Já Francisco Paiva, que era o 29º desaparecido, também resgatado por ribeirinhos, foi levado para a cidade de Uruará. A embarcação saiu de Santarém no dia 21 e tinha como destino a cidade de Vitória do Xingu.

A embarcação não podia transportar passageiros, segundo a Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon-Pa). Quanto ao que é de competência da Capitania dos Portos a embarcação estava inscrita, mas a Marinha do Brasil esclarece que para o transporte de pessoas é necessário que a embarcação esteja em dia com demais órgãos. (ORM)

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