quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Conselho do Funcacau aprova R$ 30 milhões para projetos no Pará

O conselho gestor do Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura no Pará (Funcacau) aprovou ontem quarta-feira, 13, projetos que vão garantir assistência técnica, pesquisa e aumento das áreas agricultáveis para o cacau no Pará. A reunião, na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), foi presidida pelo secretário Giovanni Queiroz, que considera a cultura do cacau uma alternativa para reduzir a pobreza no Pará.
"Segundo informações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 30% da população do Pará estão abaixo da linha de pobreza e a agricultura pode reduzir esse índice, sendo a cacauicultura uma boa alternativa de investimento aproveitando os recursos do Funcacau", explicou o secretário. As ações que incentivam a organização socioprodutiva serão prioridades para facilitar o aumento da renda dos produtores.

A maior deficiência do setor agrícola está na assistência aos produtores, pela falta de pessoal qualificado, por isso, o projeto da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que envolve recursos de R$ 11,83 milhões, com repasses até 2021, foi aprovado por unanimidade.

Em janeiro do próximo ano serão contratados 270 novos técnicos que ingressarão no Estado por meio de concurso, a ser realizado até dezembro. Destes, pelo menos 30 atuarão na área da cacauicultura e serão capacitados pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

A ampliação do cultivo de cacau em áreas de várzea foi o projeto apresentado pela Ceplac e aprovado com recursos de R$ 16 milhões, que serão aplicados até 2024. A ideia é testar modelos de sistemas agroflorestais que misturam cacau e açaí nas várzeas altas (não inundáveis) e baixas (inundáveis), para validar experiências bem sucedidas de comunidades ribeirinhas de sete municípios do Baixo Tocantins.

"O plantio nessas áreas tem baixo nível tecnológico e é pouco competitivo, mas possui vantagens que, se bem trabalhadas, poderão duplicar a produção de quatro mil para oito mil toneladas de cacau de várzea", informou o especialista em sistemas agroflorestais Paulo Silva Neto, da Ceplac.

A instalação do primeiro Laboratório de Análise Sensorial do Pará foi outro projeto aprovado pelo conselho do Funcacau. O laboratório será montado pelo Centro de Valorização de 
 Compostos Bioativos da Universidade Federal do Pará, com recursos de R$ 300 mil, sendo 10% garantidos pelo presidente da Federação Agropecuária do Pará (Faepa), Carlos Xavier, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). A análise sensorial determina a aceitabilidade e a qualidade das amêndoas de cacau, hoje feita no laboratório da Bahia, o que aumenta o custo dos produtores.

Será implantada no campus da Ufpa, em Altamira, no sudoeste paraense, uma incubadora de empresas para dar suporte aos empreendedores das cadeias do cacau e agricultura familiar. O total de recursos do projeto da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educacação Técnica e Tecnológica (Sectet) é de R$ 584,5 mil, sendo R$ 377 mil do Funcacau. "A incubadora de empresa incentiva o desenvolvimento regional e agrega valor aos produtores", justificou a secretária adjunta, Amélia Enriquez.

Novas informações sobre áreas com aptidão ao cultivo de cacau no Pará serão fornecidas pelo projeto de mapeamento e monitoramento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O estudo será feito por meio das imagens de sensores remotos de alta resolução que apontarão com segurança novas áreas agricultáveis e antropizadas para o cultivo de cacau no Estado. O projeto de R$ 1,85 milhão contará com R$ 267 mil do Funcacau.

O conselho gestor do Funcacau, que reúne representantes de 16 instituições, aprovou ainda recursos de R$ 243 mil para garantir a participação de oito produtores e técnicos paraenses no Salão do Chocolate de Paris, na França, em novembro. Além do Pará, o estande brasileiro também terá representantes do Espírito Santo e da Bahia, que terão contato com chocolatiers europeus em rodadas de negócios.
Por Leni Sampaio - Agência Pará

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