terça-feira, 19 de setembro de 2017

Detentos intensificam produção para o "Feirão do Círio" deste ano

A menos de um mês para a festividade do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, alguns dos produtos essenciais para o tradicional almoço, como o tucupi, farinha de mandioca e hortaliças como o jambu já tem a produção intensificada por detentos que participam do Projeto Nascente, desenvolvido pela Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) com internos da Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel (CPASI). Ao longo do ano, 40 detentos realizam trabalhos da horticultura, compostagem, criação de suínos, palmípedes (animais que possuem os dedos dos pés ligados por uma membrana, como o pato), além de atuarem na produção de farinha de mandioca, tucupi e urucum.

Para atender a demanda ocasionada pelo tradicional almoço do Círio, desde agosto a produção dos itens aumentou. Para que a população tenha acesso aos produtos, a Susipe irá realizar dois feirões do Círio. O primeiro será na sede do Ibama no próximo dia 4 de outubro, e o segundo no dia 6, no estacionamento do prédio-sede da Susipe.

Serão colocados à venda 800 maços de jambu, 700 maços de chicória, 400 litros de tucupi, 500 litros de farinha, 100 frascos de urucum e 50 vidros de molho de pimenta. Cerca de 300 patos serão comercializados, entre vivos e/ ou congelados por quilo.

Os internos participam de todo o processo da produção, no qual recebem orientações de como devem proceder ao realizar cada tarefa até a comercialização. Desde quando foi preso, Edilson Barbosa costumava ocupar o seu tempo com leitura e orações, mas sentia a necessidade de um trabalho que o fizesse ter uma rotina mais ativa. “Eu precisava me mexer, estar em contato com o sol, trabalhando mesmo. E foi aqui no projeto Nascente que eu me encontrei”, afirmou.

Valmir Andrade trabalha há dois anos e quatro meses no projeto Nascente. Neste tempo é responsável pelos cuidados com os patos. Manter o ambiente limpo e a medicação em dia são alguns dos cuidados essenciais para que animais sejam saudáveis, garante o interno. Em suas idas até os locais de comercialização, ele afirma que a receptividade é cada vez melhor. “A gente é bem recebido, o que é levado tem uma boa aceitação. E a gente aproveita para dizer que não tem agrotóxico e nem inseticida, que é tudo natural. Sabendo disso, aí que as pessoas compram”, disse.

O Feirão do Círio da Susipe iniciou apenas com a venda dos patos e hoje já possui um leque de produtos para os consumidores. “Até 2015 nós vendíamos apenas os patos. No ano passado nós planejamos a venda com mais alguns produtos em apenas um mês. Este ano foi tudo planejado e seguimos um calendário de produção. Hoje, nossa clientela do Círio é também quem compra nossos produtos na feiras que ocorrem ao final de cada mês, no prédio da Susipe”, revela Rita Nascimento, gerente de comercialização da Susipe, vinculada à Diretoria de Reinserção Social (DRS).

Para Neide Azevedo, diretora em exercício de Reinserção Social da Susipe, as atividades dos internos no projeto Nascente refletem positivamente o trabalho dentro e fora da casa penal. “O Círio é uma das maiores manifestações religiosas do Brasil, se não for a maior, e os internos de certa forma estão participando desse momento. O que é produzido por eles estará sendo consumido em um momento de confraternização entre as famílias. Por meio do trabalho eles são reinseridos na sociedade, se sentem estimulados a terem uma atividade produtiva e valorizados pelo que fazem”, avaliou.

Anderson de Araújo da Silva diz que se sente feliz em trabalhar para garantir o tradicional almoço do Círio dos paraenses. “Eu me sinto orgulhoso de fazer parte dessa experiência que eu não tive lá fora. Só o fato de estar trabalhando, de fazer algo que vai deixar as pessoas contentes, eu já me sinto honrado. Trabalhando eu posso andar de cabeça erguida”, concluiu o detento.
Por Timoteo Lopes - Agência Pará

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