quarta-feira, 20 de setembro de 2017

II Feira Existir reúne arte, cultura, educação e esporte para pessoas com deficiência

Nestas quinta (21) e sexta-feira (22) o Núcleo de Articulação e Cidadania (NAC), do governo do Estado, realiza a II Feira Estadual Existir, que este ano traz o tema "Arte, cultura, educação e esporte em movimento". A programação será realizada na Praça do Artista, da sede da Fundação Cultural do Pará (antigo Centur), em Belém, e vai reunir dezenas de órgãos estaduais com serviços e orientações para pessoas com deficiência (PCD). O evento tem o apoio da Fundação Cultural do Pará e da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), por meio do Plano Estadual de Ações Integradas à Pessoa com Deficiência – Existir.

No primeiro dia da programação o público terá a oportunidade de conhecer uma casa adaptada para cadeirantes e visitar os estandes onde estarão disponíveis os serviços oferecidos pelos órgãos estaduais, divididos em seis espaços temáticos.

No estande “Linguagem e Literatura” haverá exposição de livros, bate-papo com autores, informações sobre construção ortográfica em relevo e exposição de vídeos sobre altas habilidades para demonstrar as diversas formas de comunicação no universo das deficiências auditivas e visuais. Já no estande “Artes Práticas e Visuais” serão apresentados trabalhos de alunos atendidos pela Coordenadoria de Educação Especial da Seduc, de alunos da rede pública e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Ananindeua.

O projeto de gameterapia, recursos assistivos (softwares e hardwares) e até uma impressora em 3D para confecção de órteses estarão expostos no estande da Universidade do Estado do Pará (Uepa), com elegeu o tema “Tecnologia e Acessibilidade”. Já a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) vai mostrar a experiência com cães adestrados que atuam como acompanhantes de pacientes em tratamento físico, psíquico e emocional. 

No espaço do “Esporte Adaptado” os visitantes poderão conhecer equipamentos usados em modalidades disputadas por pessoas com deficiência como goalball, bocha e vôlei sentando, entre outros. Também serão feitas matrículas para algumas dessas modalidades.

No espaço de “Saúde e Assistência” haverá exposição de órteses, próteses e cadeiras de rodas, além de orientações de saúde, mostra de serviços e programas de inserção de PCD no mercado de trabalho. Dois palcos montados na Praça do Artista formam o sexto espaço temático, o de “Artes Cênicas”, que vai receber as apresentações artísticas e demonstrações das diversas formas de expressão artística e cultural de pessoas com deficiência.

No mesmo local também será disponibilizado o serviço de emissão de carteiras de identidade pela Polícia Civil (100, no total), carteiras de gratuidade aceitas nos espaços culturais gerenciados pela Secult e de orientações sobre a rede de cuidados à saúde bucal e nutricional, com avaliação de índice de massa corporal (IMC), oferecido pela Coordenação da Pessoa com Deficiência, da Secretaria de Saúde do Município de Belém.

Cultura – A II Feira Existir contará, ainda, com uma programação cultural igualmente extensa, sempre a partir das 9h, que reunirá grupos de dança, música e teatro. Alguns deles são compostos por pessoas com deficiência, como é o caso do grupo de dança Gedym, da Unidade Educacional Especializada Yolanda Martins, que tem como objetivo incluir a pessoa com deficiência e fazê-la descobrir as potencialidades artísticas como fator de qualidade de vida. 

Outro grupo a se apresentar será o “Corpos Falantes”, composto por alunos e ex-alunos da Unidade Especializada Professor Astério de Campos, na qual pessoas surdas interpretam músicas por meio da Linguagem de Sinais.

Além deles, subirão ao palco os músicos da Orquestra de Violoncelistas da Amazônia, que volta aos espaços culturais paraenses após turnê pela Suíça, trazendo um repertório que mescla música erudita, popular paraense e rock. O boi de Máscaras Veludinho vai levar à Praça dos Artistas um pouco da cultura tradicional de São Caetano de Odivelas. As apresentações encerram com o Arraial do Pavulagem, às 19h. Confira a programação cultural completa no site www.nac.pa.gov.br.

Oficinas - O dia 22 será dedicado às oficinas e capacitações, gratuitas, que terão como público-alvo pessoas com deficiência, familiares, educadores e demais interessados no assunto. Um dos destaques é a roda de conversa “A família, seus desafios e conquistas na luta pela inclusão”, que disponibilizará 30 vagas. Já a oficina sobre dança em cadeira de rodas, com 30 vagas, será destinada a professores, técnicos e acadêmicos.

O painel “Audiodescrição: acessibilidade e diversidade cultural entre pessoas com deficiência visual” terá como público-alvo acadêmicos e profissionais de licenciaturas e Comunicação Social, com 40 vagas. A palestra magna da manhã será ministrada pelo promotor de Justiça do Ministério Público do Pará, Waldir Macieira, sob o tema “Direitos das pessoas com deficiência: novidades da Lei Brasileira de Inclusão – LBI”.

Pela tarde, o arte-educador, pedagogo, diretor de teatro e coordenador e criador do projeto Tam Tam, de São Paulo, Renato Luiz Martins Di Renzo, vai palestrar sobre “Estética da identidade – Arte & Humanidades”. Renato revolucionou o campo das artes na saúde. Suas intervenções urbanas e ações junto à população viraram modelo nacional e internacional. A lista completa de oficinas e inscrições on-line também podem ser acessadas no site www.nac.pa.gov.br.

PCD - Quando falamos em pessoa com algum tipo de deficiência, nos referimos a quase um quarto da população brasileira. Segundo o Censo Demográfico de 2010, há mais de 45 milhões de pessoas com dificuldades de visão, audição, locomoção ou desenvolvimento intelectual. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de um bilhão de pessoas no planeta convivem com alguma forma de deficiência, o que corresponde a 15% da população mundial, com base em estimativas de 2010. 

A perspectiva é que esse número aumente, em especial com as dificuldades que podem advir do envelhecimento natural da população. No Pará, o IBGE registrou, em 2010, um percentual de 23,63% da população com pelo menos uma das deficiências investigadas.

No Brasil, com a entrada em vigor do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146, de 2015), já se prevê a reprodução de obras em formato acessível para pessoas com deficiência. A legislação também estipula que deverá “ser garantido o acesso, em formato acessível, a bens culturais, programas de televisão, cinema, teatro e outras atividades culturais e desportivas, monumentos e locais de importância cultural e espaços que ofereçam serviços ou eventos culturais e esportivos.

A II Feira Existir tem como objetivo possibilitar acesso e acessibilidade da pessoa com deficiência a espaços de produções e vivências da diversidade cultural; além de promover a capacitação de profissionais e familiares a partir de workshops, palestras e oficinas para formação sócio-inclusiva. O evento é realizado no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, instituído por iniciativa de movimentos sociais, em 1982, e oficializado pela Lei Nº 11.133, de 14 de julho de 2005.

Primeira Edição – A I Feira Estadual Existir foi realizada nos dias 7 e 8 de novembro de 2016, na Estação das Docas, em Belém. Paralelamente foi realizado o V Fórum de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, organizado pelo Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade (Nedeta), da Uepa. Pelo menos três mil pessoas passaram pela feira e conheceram produtos e serviços que facilitam o tratamento e a vida de pessoas com deficiência.

Plano Existir - Lançado pelo Governo do Pará em 2012, e atualmente vinculado ao NAC, o Plano Existir assumiu o compromisso de garantir ações a partir dos eixos saúde, educação, acessibilidade e inclusão social, para a promoção dos direitos fundamentais da pessoa com deficiência na ampliação do acesso ao patrimônio cultural como instrumento de inclusão, fazendo com que ela se sinta integrada à sociedade.

São integrantes do Comitê Gestor do Plano Existir 17 órgãos públicos: Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon); Companhia de Habitação do Pará (Cohab); Escola de Governança do Estado (EGPA); as Fundações Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), Carlos Gomes (FCG) e Cultural do Pará (FCP); Núcleo de Articulação e Cidadania (NAC); Universidade do Estado do Pará (Uepa); Defensoria Pública; Polícia Militar e as Secretarias de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet), de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedop), de Educação (Seduc), de Esporte e Lazer (Seel), de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e de Saúde Pública (Sespa).
Por Erika Torres - Agência Pará

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