terça-feira, 5 de setembro de 2017

Secretário de Operações Cel André Luiz vai comandar retirada da embarcação que naufragou em Óbidos

Representantes do Sistema de Segurança Pública do Pará se reuniram nesta terça-feira (5), na sede da Estação Cidadania em Santarém, na região oeste, com os familiares dos nove tripulantes do empurrador da empresa Bertolini, que naufragou no último dia 2 de agosto após colidir com o navio Mercosul Santos, próximo ao município de Óbidos. Na reunião foram esclarecidas as atribuições do Estado em relação ao resgate das vítimas e ao andamento do inquérito aberto pela Polícia Civil para apurar as causas e responsabilidades do acidente, que já resultou no indiciamento do prático do navio. O secretário adjunto de Operações da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, coronel PM André Luiz Cunha, atualizou as informações sobre as empresas que se apresentaram para executar o plano de salvatagem, destinado à retirada da embarcação do Rio Amazonas.

"Até o momento, nós temos cinco empresas que apresentaram propostas para realizar a salvatagem do empurrador. Todas as cinco são de fora do País. Hoje se encerra o prazo para apresentação dessas propostas. A empresa contratante (Transportes Bertolini Ltda.) vai avaliar, dentro do binômio técnica e preço, e definir qual empresa será a escolhida para fazer a operação", explicou o secretário.

Ainda segundo André Luiz Cunha, após a definição, a empresa terá que preparar seu plano de salvatagem e apresentar à Marinha do Brasil. "A Marinha analisa e aprova este plano. Se aprovado, a empresa está autorizada formalmente a fazer toda a mobilização de equipamentos e de efetivo para iniciar os trabalhos de salvatagem. 

A Marinha tem o seu tempo de análise, que esperamos seja o mais rápido possível. A Capitania, aqui em Santarém, estima que esse plano seja analisado de 24 a 72 horas. A partir dessa análise, se não houver nenhuma diligência para ser esclarecida pela empresa responsável pelo plano, estando tudo certo, a empresa entra na fase de execução do objeto, que é a salvatagem do empurrador", completou o secretário adjunto.

Inquérito - O diretor do Grupamento Fluvial da Polícia Civil, delegado Dilermando Dantas, informou que o inquérito ainda está na fase de apuração. Ele informou que equipamentos estão sendo analisados para averiguar possíveis causas do acidente e apurar responsabilidades.

"Nós solicitamos a perícia da cabine do navio, onde está o DVR, que é semelhante a uma caixa preta. Esse DVR apresenta tanto o radar do navio, quanto os áudios ambientais. Pedimos à perícia que nos enviasse os ruídos desses áudios para conseguirmos escutar se houve realmente comunicação com o empurrador, para conduzirmos melhor o inquérito", informou o delegado.

Segundo Dilermando Dantas, as pessoas envolvidas no acidente serão reinquiridas, a partir da nova resposta que a perícia repassou a partir de áudios mais claros. "Essa nova fase é esclarecedora para elucidar quem foi o causador do acidente", reiterou.

Até o momento, a Polícia Civil colheu o depoimento de 14 envolvidos e indiciou uma pessoa - o prático do navio Mercosul Santos. "Estamos avaliando se as outras pessoas que estavam no passadiço são ou não responsáveis pelo fato. Porque, se você está vendo uma situação e não toma providências para evitá-la, você concorre para o fato. Então, temos que avaliar se isso aconteceu ou não na cabine", ressaltou o delegado.

Ao término do inquérito, as pessoas envolvidas podem ser denunciadas pelo crime de Risco à Segurança da Navegação, com base no Artigo 261 do Código Penal, com possibilidades de ter desdobramentos nos artigos seguintes: 262 e 263, combinados com o 258. "Isso aumentaria, e muito, a quantidade da pena, ao final do inquérito, caso a gente conclua pela culpa ou pelo dolo eventual", acrescentou.

Também participaram da reunião o subcomandante geral do Corpo de Bombeiros, coronel Augusto Lima; o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Francisco Cantuária; o comandante de Policiamento Regional da 1ª Região, coronel Heldson Tomazo; o comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar, Aldemar Maués, e o comandante do 4º Grupamento de Bombeiros Militar, coronel Luís Cláudio Rêgo.
Por Samuel Alvarenga - Agência Pará

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