quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Oncológico Infantil completa dois anos com 97% de aprovação dos usuários

Há um ano e três meses, a família de Alessandra Moura, que residia na cidade de Altamira, no oeste do Pará, precisou mudar para Belém, a capital do Estado, em função do tratamento contra o câncer da filha de 15 anos. Diagnosticada com leucemia, a adolescente encontrou no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, que completa dois anos de funcionamento nesta quinta-feira (12), o suporte necessário para enfrentar a doença. “Desde que chegamos ao hospital fomos bem atendidos por todos os profissionais, da equipe da recepção aos médicos”, diz Alessandra.

Além do bom atendimento, ela também destaca que sua permanência na unidade, acompanhando a filha, possibilitou o estreitamento de laços com outras mães que enfrentam o câncer infanto-juvenil. Essa proximidade permitiu a Alessandra adquirir mais conhecimento sobre a doença e obter um ponto de apoio. “Conheci mães com quem tenho vínculo de irmã, uma dando força para a outra.

As que estavam aqui há mais tempo começaram a me falar sobre o que os filhos delas passaram, e eu tive mais conhecimento sobre o que estava se passando com a minha filha, sobre a quimioterapia. No início eu não sabia de nada. Isso acabou ajudando a enfrentar o tratamento”, conta Alessandra Moura.

Ela fortaleceu laços não só com outras mães, mas também com funcionários da unidade gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). O atendimento oferecido pela oncopediatra Alayde Vieira cativou Alessandra. “Ela esclareceu tudo sobre a doença da minha filha. A palavra dela passa segurança para a gente. Se ela falou, falado”, ressalta.

A enfermeira Renata Oliveira, da coordenação do Setor de Internação, passou a ser considerada uma amiga por Alessandra e pela filha. Um sentimento, aliás, recíproco. “Ela é uma paciente diferenciada. Virou amiga, é uma companheira no nosso plantão. Se deixar, vai para dentro da minha sala”, conta Renata, para quem fortalecer a proximidade com o paciente e sua família é uma forma de humanizar o tratamento. “A gente mantém esse vínculo para oferecer segurança e dar suporte emocional ao paciente e à família”, explica a enfermeira.

A identificação dos pacientes e seus familiares com os funcionários do Hospital Oncológico reforça a missão da unidade, de tratar e cuidar com segurança e humanização dos usuários. A diretora geral do Hospital, Alba Muniz, afirma que o fortalecimento de vínculos faz com que as pessoas se importem mais com as outras.

 “Nós sempre incentivamos que os nossos colaboradores se interessem uns pelos outros, assim como pelos pacientes e suas famílias e, principalmente, pelas histórias deles. Conhecer cada situação, cada realidade, traz segurança e bem-estar no dia a dia”, enfatiza.

A gestora destaca ainda o caráter informal desses laços, que se formam por simples afinidade. “Não acredito em relacionamentos sem vínculos. São eles que fazem com que as pessoas se importem umas com as outras, independente disso estar escrito em algum lugar ou ser uma regra”, completa Alba Muniz.

Atendimento diferenciado - Referência no combate ao câncer infanto-juvenil, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo atende a cerca de 700 pacientes, com um índice de satisfação dos usuários de 97%. Os tipos de câncer mais recorrentes atendidos na unidade são leucemia e linfomas.

Entre janeiro e setembro de 2017, a Oncológico Infantil realizou 106.145 exames, 671 cirurgias e 24.403 sessões de quimioterapia. O maior número de internações está na faixa etária dos 3 a 5 anos, com 257 pacientes; seguida pela faixa de 0 a 2 anos, com 238, e de 09 a 11 anos, com 211 pacientes.

Em 2017, o hospital foi habilitado pelo Ministério da Saúde como a mais nova Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) da região amazônica, com atuação dedicada à oncologia pediátrica.

Em junho passado foi certificado como “Hospital Acreditado - ONA 1”pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Também é signatário do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Pacto de Princípios de Empoderamento das Mulheres, uma iniciativa da ONU para promover a igualdade de gêneros e o respeito ao público feminino.

Humanização - O Hospital Oncológico Infantil coloca em prática a missão de tratar e cuidar com segurança e humanização de pacientes com câncer infanto-juvenil. Por isso, desenvolve uma série de projetos voltados ao bem-estar dos usuários e funcionários. Periodicamente, são realizados eventos, como “Aniversariantes do mês”, “Café com prosa”, “Canto da Família” e “Canto do Chef”.

O mais novo projeto é o “Canto da Empreendedora”, uma feira mensal implantada após o “I Workshop Empreender – Fortalecendo o Protagonismo das Mulheres”, realizado em junho deste ano, em Belém. O evento auxilia mães de pacientes na venda de produtos feitos por elas.

Os pacientes também recebem o apoio de voluntários durante toda a semana. Atualmente, a unidade conta com um grupo de 84 voluntários, que confortam pacientes e familiares. Todos passaram por oficinas de formação, entrevistas e treinamentos.

Estrutura - Com 9.503 metros quadrados de área construída, em um prédio de sete andares, atualmente o Hospital Oncológico Infantil mantém 89 leitos de internação, dos quais 10 são destinados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No Centro Cirúrgico há quatro salas e cinco leitos de RPA (Recuperação Pós-Anestésica), além de sala de indução anestésica.

Também há mais seis leitos de observação, dois leitos de emergência e um de isolamento, na Unidade de Atendimento a Intercorrências. Na área de quimioterapia, o hospital dispõe de 15 poltronas e oito leitos.

O Centro Cirúrgico é equipado para procedimentos de baixa, média e alta complexidade. No serviço de internação atua uma equipe multiprofissional (médico, enfermeiro, psicólogo, nutricionista, farmacêutico, assistente social, fisioterapeuta e fonoaudiólogo).

O atendimento ambulatorial da unidade também conta com equipe médica e profissionais das áreas de Psicologia e Serviço Social, além do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) e de brinquedistas. Os atendimentos de urgência da Unidade de Atendimento Imediato são feitos por médico, enfermeiro, psicólogo e assistente social. (Colaboração de Karla Soares).

Médica integra Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica
A médica Alayde Vieira, coordenadora do Serviço de Oncopediatria do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, será apresentada no próximo sábado (15), como a nova integrante da Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (Siop), durante a 49ª edição do Congresso da Siop, que será realizado em Washington, nos Estados Unidos, no período de 12 a 15 de outubro.

O evento é um dos mais importantes na área de oncologia pediátrica, e reunirá membros de vários países e especialistas de renome mundial, para expor os mais recentes tratamentos e tecnologias no combate ao câncer infanto-juvenil.

Alayde Vieira, que também integra a diretoria da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica, é a única médica da Região Norte a ocupar uma cadeira na Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica. Durante o Congresso, ela fará uma breve apresentação da região e do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, unidade que atende exclusivamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

A médica destaca que a conquista é resultado de trabalho em equipe. “Essa participação na Siop é o reconhecimento do trabalho de toda a equipe do Oncológico Infantil, que apesar de todas as adversidades e das dificuldades regionais tem construído um serviço de Oncologia Pediátrica reconhecido”, afirma Alayde Vieira.

O Congresso da Siop é considerado conferência mundial em oncologia pediátrica. A Sociedade Internacional trabalha para melhorar os tratamentos contra o câncer infanto-juvenil oferecidos em nível mundial. (Colaboração de Kennya Côrrea).
Por Ana Negreiros - Agência Pará

Nenhum comentário:

Postar um comentário