domingo, 26 de novembro de 2017

Entenda a origem da devoção e do Círio da Conceição em Santarém, no Pará

A devoção teve origem em 1661, momento em que os jesuítas criaram a Missão Tapajós. Primeiro Círio foi realizado em 28 de novembro de 1919. A devoção a Nossa Senhora da Conceição em Santarém, no oeste do Pará teve origem em 1661, momento em que os jesuítas criaram uma Missão junto a aldeia dos índios Tapajós. O fundador da cidade, à época, o padre João Felipe Bettendorff, construiu a igreja e dedicou à Santa, de quem era devoto. O Círio da Conceição é considerado a segunda maior manifestação religiosa do estado e reúne devotos de mais de 12 cidades da região. 

 A catedral de Nossa Senhora da Conceição é considerada a construção mais antiga de Santarém. Após o centenário da primeira igreja construída e da fundação de Santarém, o novo prédio foi erguido em 1754, na Praça Monsenhor José Gregório, conhecida como 'Praça da Matriz' no Centro da cidade. O prédio foi construído com duas torres laterais mais baixas do que as atuais. A construção foi considerada concluída em 24 de setembro de 1881. 

Alguns historiadores apontam que a princípio, as homenagens à padroeira da Diocese de Santarém eram conhecidas como Círio da Bandeira, em qual durante a procissão se levava um estandarte com uma figura da santa - representação numa moeda, pintura ou escultura - que percorria algumas ruas de Santarém. Tal manifestação teria dado origem ao que atualmente se chama Círio de Nossa Senhora da Conceição. 

Há indícios de que a Festa de Nossa Senhora da Conceição tomou um novo fôlego a partir de 1844, quando foi fundada a Confraria de Nossa Senhora da Conceição, que teria como objetivo celebrar o culto à Virgem no dia 8 de dezembro. O primeiro Círio foi realizado em 28 de novembro de 1919. Este ano, a Diocese celebra a edição de número 99. A festa reúne várias celebrações, que começa com as peregrinações pelo município até o arraial.

A festa da Conceição se tornou tão importante que passou a integrar o calendário oficial de eventos de Santarém. Ela também é responsável por movimentar o comércio a economia da cidade por meio do turismo religioso. São milhares de devotos de cidades do oeste paraense, além de turistas de vários lugares do país e até estrangeiros. Nesse período, é possível ver ruas enfeitadas com bandeiras, fitas e balões nas cores azul e branco. 

A celebração do Círio da Conceição tem início com a transladação na noite que antecede a procissão. No início da noite, após missa na Matriz, centenas de fiéis acompanham o deslocamento da imagem da Catedral à Igreja de São Sebastião, onde ela fica até as primeiras horas do dia seguinte para a grande romaria. Enquanto isso, os fiéis fazem vigília na igreja. Nas orações é priorizada a santidade, o amor, a devoção, a fé e confiança na Santa.

Elementos de devoção

 O Círio reúne os elementos de devoção, considerados simbólicos. Segundo a historiadora Liduína Maia, que também é devota de Nossa Senhora da Conceição, a imagem é o principal elemento, além do manto e a coroa. "Maria tem a coroa e tem o manto de rainha, rainha da nossa devoção, nossa intercessora que nos leva a Jesus. A gente vai ali com Maria e por Maria para chegar até Jesus. Esse é o grande símbolo", disse. 

Ainda segundo Liduína, desde as primeiras romarias, muitos hábitos e costumes de devoção permanecem em evidência. “Nós temos a questão de andar com a vela acesa, mesmo de dia, a oração do terço, os altares na frente das casas por onde a Santa vai passar. Aqui em Santarém se marca muito as homenagens com cânticos e fogos. O enfeitar a rua com as bandeirolas e com enfeites de papeis e folhas aromáticas ainda é um costume que se mantém”, destaca.

Segundo historiadores, a imagem que percorre a procissão foi fabricada por volta da primeira metade do século XIX, sendo confeccionada como imagem roca em estilo espanhol, feita em madeira oca, não possui cabeleira e nem membros articulados. Por isso, a tradição da confecção de mantos, rosário, coroa, além da entrega de cabelos de devotas para a confecção de perucas. A imagem é toda preparada pelos fiéis na semana do Círio.

O manto está diretamente ligado a imagem e por si só é considerado por historiadores como um importante elemento de devoção e de milagres. A cada ano, a imagem ganha um novo manto, que é doado por famílias em agradecimento a graças alcançadas. A coroa, também colocada na imagem, representa a virgem Maria como rainha, mãe de Deus, da igreja e dos fiéis.

O pagamento de promessas ainda é muito forte e bem presente no Círio. O andar descalço, crianças vestidas de anjo, fiéis com vestimentas parecidas com a de Nossa Senhora da Conceição e de outros Santos. Diversos milagres são atribuídos pelos devotos à Nossa Senhora da Conceição. No Círio, os fiéis pagam promessas em virtude de milagres alcançados, que vão desde curas de doenças, como o câncer, milagres por afogamento, entre tantos outros. 

 A corda também possui um significado especial para os fiéis. Ela foi instituída mais tarde, em 1971, sob influência do Círio de Nazaré e permanece até hoje. Feita de sisal, geralmente possui 200 metros de comprimento. Os fiéis, chamados de cordeiros, percorrem o Círio descalços. Alguns até madrugam no local da saída do Círio para garantir sua posição na corda. 

 Centenas de fiéis disputam espaço na corda, com o objetivo de agradecer e pagar promessas. A historiadora Liduína Maia, explica que a corda é como se fosse o cordão umbilical que liga os fiéis à Nossa Senhora da Conceição, por isso se tornou um dos principais elementos de fé e devoção. Já para os devotos, segurar a corda é estar tocando em Maria.(G1.com.br/tvtapajos)

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