sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Refugiados provocam emergência social em Santarém

Prefeitura diz não ter recursos para atender estrangeiros. Com a crescente imigração de venezuelanos para Santarém, no oeste do Pará, o governo municipal decretou situação de emergência social devido à situação de risco pessoal e social dos refugiados e dos santarenos. O primeiro grupo de imigrantes, indígenas da etnia Warao, chegou ao município no dia 28 de setembro e acampou nas praças em frente à Catedral de Nossa Senhora da Conceição. Atualmente, o grupo é formado por 120 pessoas.
Apesar de ter sido divulgado somente na quarta-feira (16), o documento, assinado pelo prefeito Nélio Aguiar no dia 1º de novembro, mesmo dia da transferência dos indígenas para uma escola desativada cedida pela prefeitura para servir como abrigo, teve como base informações repassadas pela Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtras).

Entre as considerações do decreto, o governo disse que o município possui recursos insuficientes para o atendimento aos imigrantes, a possibilidade de disseminação de doenças entre os indígenas e santarenos, e também o estado de mendicância dessas pessoas.

A Semtras deverá criar uma força tarefa para implementar ações emergenciais para assegurar a assistência humanitária aos imigrantes, enquanto a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) deverá acompanhar os indígenas nestes primeiros meses em Santarém. À Secretaria de Educação (Semed) ficou estabelecida a inclusão das crianças e adolescentes na rede municipal de ensino.

O decreto tem vigência de 180 dias e pode ser prorrogado por mais 30 dias, dependendo da justificativa para tal decisão. Com o crescente aumento no número de refugiados chegando a Santarém, o prefeito Nélio Aguiar disse que a situação estava ficando insustentável e que buscava parceiras com as esferas estadual e federal para resolver este problema social. “Está ficando uma situação totalmente imprevisível. Estamos caminhando para o momento que está ficando insustentável para o município sozinho assumir essa responsabilidade”, justifica.

ACOLHIMENTO
Os primeiros indígenas venezuelanos chegaram a Santarém na madrugada do dia 28 de setembro e ficaram na praça da Bandeira, perto da igreja Matriz. Eles foram atendidos pelo Conselho Tutelar, que deu encaminhamento aos órgãos ligados aos indígenas da cidade. Depois, os refugiados foram levados de ônibus até o Centro POP, espaço que acolhe moradores em situação de rua, onde receberam alimentação, tomaram banho e lavaram as roupas.

Depois, o grupo recebeu hospedagem em uma igreja evangélica de Santarém, além de atendimentos médicos por meio do projeto “Consultório na Rua”. Eles passaram por avaliação individual. No dia 3 de outubro, foram alojados no Centro de Formação Franciscana.

Desde então, novos grupos que chegavam ao município era encaminhados para o abrigo provisório. O espaço foi cedido por um mês e uma rede de acolhimento provisório ofereceu assistência nas áreas da alimentação, moradia, saúde, assistência psicossocial e serviços públicos.

No alojamento, viviam bebês, crianças, adolescentes, adultos e até idosos. Os refugiados falam espanhol e quase não dominam a língua portuguesa. Eles afirmam que querem ficar na cidade de forma permanente.

Uma das dificuldades enfrentadas pelos órgãos que acompanham os refugiados é o fator cultural da alimentação. Por serem naturais de área de alagados, a alimentação deles é a base de peixes, frango, algumas massas derivadas do trigo e algumas frutas.

Durante uma reunião no dia 25 de outubro na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Santarém, ficou definido um novo alojamento para o grupo: a escola municipal Nossa Senhora de Fátima.

O prédio foi desativado em 2013 por conta do baixo número de alunos. A escola ainda recebe cuidados e ficou sob responsabilidade da Associação de Moradores do Bairro Cambuquira. São duas salas de aula e uma área ampla. Possui banheiros e lavatórios, além de alguns mobiliários e materiais de cozinha. No dia 1º de novembro os indígenas venezuelanos foram levados para o novo espaço. (O Liberal)

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