sábado, 30 de dezembro de 2017

Mais quatro municípios paraenses terão escolas de Tempo Integral em 2018. Santarém é um deles.

Ampliar a educação em tempo integral e fazer com que a sociedade se aproprie do projeto é uma das metas da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para 2018. E a notícia não poderia ser melhor: além de prosseguir em Belém, Ananindeua e Marabá, no ano que se inicia a modalidade será implantada em mais quatro municípios (Barcarena, Bragança, Maracanã e Santarém). De 15 escolas de Ensino Médio, o programa passará a ser oferecido em 22 estabelecimentos.
“Não se trata apenas de uma política de governo, mas de um projeto da sociedade. Estamos fazendo com que os nossos alunos se insiram cada vez mais no contexto da escola”, explica a secretária de Estado de Educação, Ana Claudia Serruya Hage, acrescentando que a Seduc está empenhada em reformas, adquirindo materiais e equipamentos, na elaboração de um novo padrão de alimentação escolar, para que, em 2018, os estudantes  matriculados nas escolas de Tempo Integral sejam melhor assistidos.

No plano de obras, a escola Temístocles de Araújo, localizada no bairro da Marambaia, em Belém, já foi reformada, e outras estão com obras em andamento, entre elas a Mário Chermont (Cremação/Belém), onde o cronograma será concluído em março. 

Nesse programa a Seduc investe recursos do Tesouro do Estado e também do empréstimo concedido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Só em equipamentos escolares e materiais pedagógicos, estão sendo aplicados R$ 25 milhões.

Primeira fase será concluída em três anos
O programa iniciou em 2013 com um projeto piloto que previa a implantação gradativa do Tempo Integral em dez escolas (seis de Ensino Fundamental; três do Ensino Médio e uma tecnológica) da região metropolitana de Belém. Neste ano, 15 escolas do Ensino Médio - sendo 11 na RMB e quatro em Marabá - também aderiram ao sistema, iniciando o período de três anos de implantação.  

“Só no final deste prazo (de três anos) é que as escolas pioneiras do programa serão efetivamente consideradas de Tempo Integral”, explica a coordenadora do Programa Ensino Médio Integral da Seduc, Jane Cardoso.

Entre os objetivos do Tempo Integral no Ensino Médio constam: diminuição dos índices de evasão e desistência dos alunos e elevação dos índices de aprendizagem e aprovação e dos alunos do Ensino Médio.

Segundo Jane Cardoso, essas escolas assumiram o desafio de reconfigurar as suas propostas pedagógicas, objetivando a promoção de aulas e atividades mais articuladas entre as diferentes áreas de conhecimento. Para isso, desenvolvem projetos e oficinas que se coadunam não só com os conteúdos escolares, mas também com a vida dos estudantes. “Temas importantes para os jovens passaram a entrar com mais frequência nas escolas”.

A proposta pedagógica de Tempo Integral agrega as aulas regulares com as oficinas socioeducativas e programas federais já existentes nas escolas, entre eles o ‘Mais Educação’ (Ensino Fundamental) e o Ensino Médio Inovador (Proemi). “A proposta preconizava a organização pedagógica na perspectiva de turno único, perfazendo um total de 9h30/dia. Atualmente, dez escolas do Ensino Fundamental funcionam em Tempo Integral em Belém e Ananindeua”, reforça a coordenadora.

Investimento em equipamentos e assistência aos alunos chega a 25 mi
Com foco na ampliação do Ensino em Tempo Integral, a Seduc está adquirindo um grande pacote de materiais e equipamentos escolares, que serão entregues ao longo do período letivo de 2018, na medida em que os processos de compra forem finalizados, demandando  licitações. Trata-se de um investimento de 25 milhões de reais, oriundos do orçamento do Estado e da União, que será feito ao longo de 2018 e 2019.
Estão sendo comprados:
  • 18.500 “kits aluno” (bandejão para refeição; copos e talheres)
  • 111 “kits cozinha” (panelas, colheres, conchas, entre outros itens);
  • 15 computadores por escola de Tempo Integral;
  • Material esportivo: 15 itens por escola;
  • Instrumentos musicais: 16 itens por escola;
  • Material para laboratório multidisciplinar: 17 itens por escola;
Comunidade Escolar aprova Escola de Tempo Integral
Uma das pioneiras na implantação do Tempo Integral no Ensino Médio, a Escola Estadual Augusto Meira, no bairro de São Brás, em Belém, conta hoje com sete turmas de primeiro ano; cinco de segundo ano e quatro de terceiro ano funcionando durante o dia todo. São, no total, 484 alunos que entram na escola às 7h15 e só saem às 17 horas.

Para a técnica pedagógica da escola, Ana Helena Gomes, que acompanhou a implantação, por se tratar de uma proposta inovadora as dificuldades do início foram naturais, mas os primeiros frutos desse trabalho já começam a ser colhidos. “Tem sido bom para todos – para os alunos, que passam a ter mais tempo para estudar;  para os professores, que não necessitam mais se dividir entre várias escolas, pois se tornaram exclusivos do Augusto Meira; e para as famílias, que agora sabem que os jovens passam o dia inteiro conosco”, pontua.

A professora de Língua Portuguesa da escola Augusto Meira, Rita Freire, que leciona há 23 anos na rede pública estadual, tem a mesma visão: do ponto de vista pedagógico, o Tempo Integral permite que os professores disponham de mais tempo. “Como temos dois turnos para trabalhar os conteúdos, fica mais fácil realizar atividades diferenciadas, como oficinas e, ao mesmo tempo, interagir com outros professores, promovendo atividades multidisciplinares”, aponta.

Aluna do terceiro ano do Ensino Médio, Larissa Barbosa, 17 anos, estuda em regime de Tempo Integral desde o primeiro ano na escola Augusto Meira e acredita que a grande diferença dessa modalidade de ensino é a melhor preparação dos jovens. “O Tempo Integral nos dá melhores condições de ingressar na faculdade, tornando o nosso aprendizado mais eficaz. 

Vejo isso ao conversar com amigos que estudam em escolas que não são de Tempo Integral, e eles ficam surpresos com o que fazemos aqui. Temos, por exemplo, simulados em todas as nossas avaliações e um trabalho diferenciado em cima da questão da redação, o que nos ajuda muito”, conta a estudante.

Na Escola Estadual Joaquim Viana, em Ananindeua, o programa de Tempo Integral iniciou em 2017 com quatro turmas do primeiro ano do Ensino Médio. Para a professora de Língua Inglesa Mônica Ramos, além das atividades diferenciadas, a jornada estendida permite que os estudantes saiam das ruas.

 “Estar mais envolvido no ambiente de educação é benéfico para o aluno e para a sociedade como um todo. Para nós, professores, é importante porque temos mais tempo para desenvolver a nossa prática pedagógica”, avalia.

O diretor da escola, Antônio Pamplona, acredita que o Tempo Integral representa o futuro da educação. “Além de facilitar a aprendizagem do conteúdo, o Tempo Integral tira os jovens da ociosidade, pois eles passam o dia inteiro na escola. Eles começam a interagir mais com o ambiente escolar e a gostar mais dele”, ressalta.

Matrículas
A pré-matrícula via internet para as escolas de Tempo Integral encerram-se no dia 7 de janeiro.  Assim como acontece com as demais escolas da rede, os novos alunos que pretendem estudar nessas escolas precisam se inscrever previamente no pelo site da Seduc (www.seduc.pa.gov.br)

Veja quais as escolas são de Tempo Integral
Belém: Dr. Mario Chermont, Dr. Ulysses Guimarães, Vilhena Alves, Augusto Meira, Prof. Temístocles de Araújo, Visconde de Souza Franco, Manoel Leite Carneiro, Avertano Rocha e Padre Eduardo. Em Marabá: Dr. Gabriel Sales Pimenta, Plínio Pinheiro, Liberdade, Dr. Gaspar Viana. Ananindeua: Antônio Teixeira Gueiros e Joaquim Viana.

Escolas que vão ofertar o Tempo Integral em 2018
Barcarena: José Maria de Moraes
Bragança: Profª Argentina Pereira, Profº Bolivar Bordalo da Silva e Luiz Paulino Mártires
Maracanã: Izidório Francisco de Souza
Santarém: Frei Ambrósio e Profª Maria Uchoa Martins.
Por Elck Oliveira - Agência Pará

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