quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Paraense é encontrada morta no Suriname

O corpo de Elisângela estava em uma casa, alugada por um homem ainda não identificado.   A paraense Elisângela Ribeiro Domingos, de 32 anos, foi encontrada morta em Paramaribo, no Suriname. O corpo dela está sendo periciado e ainda não há confirmação da causa da morte, mas as informações da polícia surinamesa são de que ela tenha sido vítima de feminicídio. A moça estava desaparecida desde a noite do dia 22 de dezembro e só foi encontrada no dia 1º de janeiro. Uma amiga dela é que tem intermediado o contato entre a família - que mora no bairro da Guanabara - e as autoridades de lá.
Elisângela fazia viagens frequentes ao Suriname e passava até três anos lá. Depois voltava para a casa da família e ficava por um período. Ela passou quase todo o ano de 2017 na casa humilde dos familiares. Viajou de novo no dia 2 de dezembro. Dividia um imóvel com a amiga, identificada apenas como Rose, na cidade de Paramaribo. Foi a mesma amiga que a convidou para morar e trabalhar no outro país.

Rose disse que começou a ficar preocupada a partir do segundo dia que Elisângela passava fora. Não atendia nenhuma ligação e nem mandava notícias. Foi quando tentou refazer os passos da amiga. Encontrou o bar onde ela estava na noite do dia 22. De lá, ela saiu com um homem não identificado em um carro preto. Buscou imagens e então comunicou à polícia no dia 26.
 
No dia 31, o carro descrito por Rose foi encontrado pela polícia surinamesa. Estava abandonado e o veículo foi apreendido para perícias. As investigações focaram em áreas próximas de onde estava o carro. No dia seguinte, os policiais receberam um chamado para a rua Ahinsaweg, próximo à via Nieuwe Charlesburgweg. É uma área periférica de Paramaribo. Um homem havia sentido um fedor suspeito em uma casa que ele alugava para outra pessoa.
 
Quando os policiais chegaram à casa, constataram que o cheiro forte era de um cadáver em avançado estado de decomposição. Entraram e encontraram o corpo de Elisângela. Foi feita perícia no local do crime e então o corpo foi removido para exames. Rose reconheceu o corpo e então, chorando de desespero, comunicou a família sobre a morte dela. Mas desde então a polícia vem sendo cautelosa na liberação de informações.
 
Para a família, Elisângela falava pouco sobre o trabalho no Suriname. Geralmente até evitava o assunto. O que ela dizia é que trabalhava num garimpo. No Facebook, ela mantinha uma página com outro nome: Renata Domingos. Não há confirmação da família que ela trabalhasse como profissional do sexo ou acompanhante.
 
Muitas brasileiras, principalmente da região Norte, se dirigem ao Suriname ou a Guiana Francesa para se prostituírem. Ou por vontade própria ou sendo raptadas. Principalmente atuam nas regiões de garimpos destes países. Já os homens são iludidos por promessas de riqueza nos garimpos, mas se veem em situações de trabalho escravo. Mas pela liberdade que Elisângela tinha para fazer a rota Suriname - Brasil com certa frequência, possivelmente ela não estava lá à força.
 
Independente do que Elisângela fazia no Suriname, tudo o que a família agora quer é justiça e que o corpo da moça seja trazido ao Brasil. A família é pobre e não consegue arcar com os custos do traslado, estimados em aproximadamente US$ 6 mil (cerca de R$ 20 mil). O pai da vítima, o aposentado José Luiz Domingos, tem feito uma peregrinação em busca de ajuda. Já recorreram ao Consulado do Suriname em Belém e também à Polícia Federal.
 
"Eu só quero minha filha, que ela venha para cá para o Brasil e seja enterrada perto da família dela. Só isso, mas não tenho como pagar. Estamos desesperados, aflitos", disse José Luiz. Enquanto isso, a cunhada e outras pessoas da família permanecem em contato com Rose e as autoridades surinamesas. O corpo da vítima permanece no Instituto Médico Legal de lá. (ORM)

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