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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Hospital do Baixo Amazonas faz primeiros transplantes de rim com doador falecido

“Quando me ligaram para informar sobre o transplante, eu aceitei na hora. Foi a maior comemoração lá em casa! Espero que eu volte a ter uma vida normal, de pessoa normal, que trabalha e que estuda”, comemora Mariane Pinheiro Nobre, de 35 anos, paciente do primeiro transplante de rim com doador falecido realizado em um município do interior da Amazônia. O procedimento aconteceu no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém (PA).
Mariane fazia hemodiálise há quatro anos. Após muitas dores, mal estar e febre, ela foi diagnosticada com insuficiência renal. “Na primeira consulta, o médico já me internou, disse que eu estava com um problema muito sério no meu rim. No outro dia comecei a diálise”, lembra. Agora, ela comemora o transplante. “Minha vida vai mudar. Vou poder beber água à vontade! Sentia muita sede”.

Duas pacientes receberam os rins da doadora que teve morte encefálica por conta de um aneurisma. Antes do óbito, Sônia Maria de Sousa Lima informou à família que queria ser doadora de órgãos. “Foi um choque para a família porque ela foi diagnosticada com aneurisma, mas ela estava consciente, conversava, tomava banho, tudo perfeito. 

Foi muito difícil para os irmãos aceitarem a doação, queriam o sepultamento com ‘tudo’ e falei que esse ‘tudo’ poderia salvar vidas e que era a vontade dela. Foi quando aceitaram e assinaram os papeis”, conta a cunhada de Sônia, Francisca Souza.

Em novembro de 2016, a equipe do HRBA fez o primeiro transplante com doador vivo. Desde então, foram 20 transplantes realizados na unidade, que é gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará.

O hospital já captava órgãos desde 2012. Após a coleta, os órgãos eram levados para a Central de Transplante, em Belém, e direcionados ao paciente que estava na fila. “Este foi o primeiro transplante renal com doador falecido no interior da Amazônia e foi com uma equipe 100% regional. 

Isso foi um marco histórico pra gente, porque, com doador falecido, a logística não é fácil, mas cumprimos todos os requisitos do Sistema Nacional de Transplantes. Ganhamos força, coragem e reconhecimento dos pacientes em Santarém. Foi muito positivo”, relata o responsável técnico do Programa de Transplante da unidade, o nefrologista Emanuel Esposito.

Para o cirurgião Alberto Tolentino, que comandou a equipe cirúrgica durante os procedimentos, a tendência é que aumente o número de doações de órgãos. “Sabendo que os órgãos vão ficar aqui mesmo na região, a expectativa é que os familiares aceitem mais e ajudem a salvar vidas. 

Esse era um grande anseio da população que tem insuficiência renal crônica e está na fila por um transplante. Esses pacientes ficaram muito felizes, comemoraram o início desses procedimentos, assim como toda a equipe do hospital, que se empenhou para conseguir realizar esses procedimentos”, diz.

O resultado é mais um avanço para a saúde da população. “Esta última semana foi histórica. Isso é importante, porque realizamos a captação dos rins e também fizemos o transplante desses órgãos com equipe própria. 

Representa um avanço significativo por possibilitar aos pacientes serem beneficiados pelas doações e captações realizadas pelo hospital. O HRBA caminha a passos largos para ser uma referência na assistência ao paciente renal crônico para a região Norte do País”, afirma o diretor-geral do Hospital Regional, Hebert Moreschi.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, o transplante renal é considerado a mais completa alternativa de substituição da função renal. Quando o órgão é de doador falecido, os rins são retirados após a morte encefálica e autorização dos familiares. Para receber um rim de doador falecido, é necessário estar inscrito na lista única de receptores de rim, da Central de Transplantes do Estado.
Por Joab Ferreira Agência Pará

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