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domingo, 15 de julho de 2018

Finalistas da Copa do Mundo, Croácia e França devem muito aos seus artilheiros 'raízes'

Copa do Mundo de 2018 foi totalmente dominada pelos europeus, que chegaram com 11 das 16 seleções nas oitavas, seis das 8 nas quartas, todas as quatro das semifinais e, obviamente
tanto França quanto Croácia na final deste domingo. Enquanto a sofisticação tática é frequentemente – e injustamente – citada como a principal força das nações europeias, principalmente em comparações com os outros continentes, na verdade a grande vantagem delas é simplesmente a industrialização dos treinamentos de jovens, um processo que resultou na produção de um grande número de jogadores de alto nível.

Para fazer justiça, a Croácia é uma espécie de exceção à regra. Mas, se a França erguer o troféu Jules Rimet no domingo, a razão mais importante será – como a Espanha em 2010 e a Alemanha em 2014 – as academias que proveram a ela os mais impressionantes talentos, mais do que os planos táticos de seu treinador. Porém, existe um tipo de futebolista que as academias europeias não produzem mais: o centroavante ‘raiz’.

As academias priorizam velocidade, movimento e versatilidade, produzindo atacantes versáteis em grande escala, podendo jogar na esquerda, direita, na frente ou como número 10. Estas estrelas jogam, essencialmente, da mesma maneira em todas estas posições, mas não oferecem as qualidades de um jogador de área: força, jogo aéreo ou jogo de pivô, segurando os zagueiros.

O tema é algo abordado pelo ex-treinador do Arsenal, Arsene Wenger, regularmente. “Se você fizer uma observação pela Europa, A América do Sul é o único continente que desenvolve centroavantes”, analisou Wenger em 2014.

“Se você observar os anos 60 e 70 na Inglaterra, ou mesmo quando eu cheguei no Arsenal, em 1996, todos os clubes tinham centroavantes. E eu quero dizer centroavantes mesmo: que cabeceavam a bola, estavam presentes em todo cruzamento. Nós temos menos agora. 
A Alemanha foi para a Copa do Mundo com Klose, que tem 36 anos!”.
Um ano depois, Wenger repetiu a teoria, citando o uso de Cesc Fabregas na Espanha como um falso 9, algo repetido pela Alemanha com Mario Gotze e a mudança gradual dos centroavantes na Europa. Eventualmente, ele sugeriu que as academias deveriam se adaptar. “Estou convencido de que as academias devem especializar os jogadores”, declarou.

“Talvez, nós tenhamos que repensar completamente a educação e termos uma especialização antes”. Contudo, a final de domingo apresentará um encontro entre dois centroavantes ‘raiz’: Giroud, um efetivo ‘super reserva’ no primeiro jogo contra a Austrália que provou sua importância no restante da competição; e Mandzukic, que teve seu gol na prorrogação contra a Inglaterra como a confirmação da vaga croata na final. Com certeza, nenhum dos dois se desenvolveu em academias.

Ambos foram pinçados por clubes maiores durante seus anos de formação e fizeram suas estreias em 2006/2006, os dois com 19 anos, na segunda divisão dos seus países de nascimento. Giroud estava no Grenoble, já no seu terceiro empréstimo, enquanto Mandzukic começou na segunda divisão croata com o Marsonia. Estes atacantes altos e fortes não são normalmente o que os grandes clubes procuram nos jovens, o que fez com que eles passassem por uma longa trajetória até o topo.

Demorou até 2010 para que Giroud conseguisse seu primeiro espaço na Ligue 1, já com 24 anos; enquanto Mandzukic já havia atuado na primeira divisão croata e sido contratado pelo Wolfsburg com esta mesma idade. Giroud, então, teve duas temporadas com o Montpellier, vencendo a chuteira de ouro na França em 2011/2012 e se transferindo para o Arsenal, enquanto Mandzukic teve duas temporadas com o Wolfsburg, vencendo a chuteira de ouro na Euro 2012 e se transferindo ao Bayern de Munique. Desde então, ambos foram bastante subestimados, mesmo com níveis impressionantes de consistência.

O Arsenal sempre tentou uma negociação para Giroud, buscando um substituto mais dinâmico e rápido. Por algum motivo, o camisa 9 da França sempre provou seu valor, até que aceitou seu destino e se transferiu para o Chelsea em janeiro – negociação para garantir seu lugar na Copa.

Similarmente, Mandzukic foi posto de lado no Bayern após a chegada de Lewandowski, um atacante mais móvel, antes de ser negociado ao Atlético de Madrid e, depois, Juventus. Chelsea e Juventus parecem combinar com Giroud e Mandzukic neste momento: clubes que se interessam mais em consistência do que estilo.

Eles também combinam com os dois? Futebol internacional. Enquanto o futebol de clubes demanda velocidade e movimentação dos atacantes, o futebol de seleções é muito mais simples, com um jogo mais cadenciado e defesas mais retrancadas. Por isso, centroavantes ficam mais estáticos.

Giroud é o exemplo perfeito: Torcedores e simpatizantes pedem a entrada de atacantes mais móveis, como um trio com Mbappé, Dembele e Griezmann, mas este tipo de linha de ataque dinâmica e livre sempre funciona melhor no papel do que no campo. A entrada de Giroud contra a Austrália garantiu alguém que pudesse fazer o pivô, servindo os jogadores velozes e trazendo mais profundidade ao jogo.

O lugar de Mandzukic na equipe da Croácia nunca esteve em dúvida, mas ele atua como Giroud na França, lutando contra os zagueiros adversários e fazendo o pivô para Perisic e Rebic; esta divisão de deveres permite que a dupla concentre sua velocidade nas alas.

Mandzukic marcou dois gols na Rússia neste verão: um glorioso tento contra a Dinamarca para abrir o marcador e o gol vencedor na prorrogação contra a Inglaterra. São dois gols a mais do que Giroud fez no torneio e que fazem o croata ultrapassar seu par francês no total de gols pela seleção: 32 a 31. Não existem aspectos melhores que liguem melhor Giroud e Mandzukic.

Primeiro, eles trabalham duro apesar de não serem atletas naturais. Giroud, enquanto figura física impressionante, sempre aparece exausto após brigar contra os oponentes, como se o simples conceito de correr fosse uma tarefa inesperada.

Enquanto isso, Mandzukic se movimenta de maneira estranha e sofre com câimbras 
repetidamente durante o torneio. Isso posto, sua taxa de produtividade na sua carreira em alto nível é incrível em alguns momentos. No Bayern, ele era um único homem para pressionar as defesas, e, com a Juventus, ele parece administrar bem a alternância entre a ponta esquerda e a grande área.

Segundo, ambos são jogadores genuínos e acima da média em um sentido técnico, capazes de gols espetaculares e acrobáticos. O gol escorpião de Giroud contra o Crystal Palace no primeiro dia de 2017, como o espetacular chute de Mandzukic contra o Real Madrid na final da Champions League alguns meses depois.

Eles podem ser considerados homens de área na era moderna, mas eles não são simplesmente homens de bola aérea que batalham com os zagueiros: Eles são atacantes habilidosos e inteligentes, com imaginação e criatividade do que jogadores rápidos rivais. Eles apenas tem um corpo diferente.

No futebol de clubes, eles enfrentam incertezas em seus futuros após a final de domingo. O novo treinador do Chelsea, Maurizio Sarri, provavelmente irá preferir um atacante mais móvel e jovem, enquanto Mandzukic deve esperar para ver como a Juventus atuará com a chegada de Cristiano Ronaldo e com Higuaín no clube.

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