sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Conciliar trabalho e filhos é também prioridade dos pais

Junto às esposas, pais estão cada vez mais focados em serem presentes e dedicados
  É de se esperar um certo grau de desespero e preocupação toda vez que um homem muito jovem descobre que vai ser pai. Mas com Sebastião de Oliveira foi tudo diferente. “Encarei com muita tranquilidade, não senti medo nenhum. Acho que era meio destrambelhado quando era jovem”, revela com a felicidade de quem nasceu para ser o pai e levou a missão ao extremo: depois do primogênito vieram mais oito filhos. “Onde come um, come dois, três, quatro e assim vai”, conta ele, que trabalha como supervisor de produção na Imerys, mineradora que atua com caulim no Pará.

Sebastião é símbolo de uma realidade consolidada ao longo dos anos no Brasil: a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio de 2015 mostra que pelo menos 400 mil brasileiros entre 15 e 17 anos tornaram-se pais. O exemplo de Sebastião atesta que pouca idade nem sempre significa pouca responsabilidade. “Eu já me sustentava desde os 12 anos, trabalhando em roça. Nasci em Castanhal e sempre capinei em um pimental de japoneses”, fala com orgulho ao lembrar que deu oportunidade para que todos os filhos estudassem. 

“Quando comecei a trabalhar na Imerys com meus irmãos, nossa primeira atitude foi levantar uma escola para os filhos, que a empresa nos ajudou a fazer”. Sebastião e seus quatros irmãos pagaram professores por dois anos para garantir o acesso da criançada ao ensino – no terceiro ano, a escola foi registrada oficialmente pelo município de Ipixuna do Pará, onde ele reside, e os professores foram contratados. “Foi um desafio, mas fico feliz de lembrar que eles foram criados com muito sacrifício, porém com dignidade”.
 
Daí para frente veio só a colheita de frutos: tem filho prestes a se formar em Técnica Agrícola, filha que conquistou o quinto lugar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na cidade e até filha que foi estagiária na mesma empresa que Sebastião. “É um sentimento difícil de entender, fica entre o orgulho e a vontade de passar o exemplo de superação. Ser pai é ser amigo, a gente tem que conquistar o filho pelo amor e não pelo temor.

 Eles me respeitam porque gostam de mim e não por terem medo. Isso é coisa do passado. Não tem isso de saber criar filho, é claro, mas a gente cultivar o respeito na família é sempre importante”. E se coração de pai sempre cabe mais um, Sebastião agora aproveita a pós-paternidade: são 14 netos e três bisnetos. “Fico aqui todo besta com eles brincando, correndo pela casa, me divirto. Tudo o que não deu para fazer com os meus filhos estou fazendo com eles. É muito bom”, celebra
 
Viver em um tempo de homens possíveis também significa viver em um tempo de pais possíveis. Esse processo contempla desde a importância de saber dividir as tarefas e claro, administrar o tempo para investi-lo em momentos de qualidade com os filhos. O operador de produção Lauro Martins tem dois modus operandis: ou está trabalhando na Alubar, líder na América Latina na fabricação de cabos elétricos de alumínio e produtora de condutores elétricos de cobre para média e baixa tensão, ou está em casa, cuidando dos seus cinco filhos. 

“A mais nova tem quatro meses, chegou agora. A gente se vira, né? Final de semana é integralmente com eles, para brincar, ajudar na tarefa do colégio, ver TV, ensinar o que eu sei. Eu e minha esposa ficamos nos apoiando”, conta ele que crê que transmitir os ideais de respeito e educação para os seus descendentes é fundamental.
 
Apesar da correria no cotidiano, ele encontra alívio ao revezar as atividades com a esposa e ao enxergar que seus filhos compreendem que isso são coisas da vida. “Mesmo novinhos, eles entendem. Sabem que faz parte. A minha filha de seis anos, Thayla, é doida para vir aqui conhecer onde eu trabalho, é curiosa. Um dia ainda vou trazer ela aqui para ela ver como meu dia a dia profissional é legal”, afirma.

Fabiana Gomes
Analista de Comunicação | Temple Comunicação

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