quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Pobreza afeta 61% dos jovens no Brasil

Seis em cada 10 crianças e adolescentes vivem em situação de pobreza no Brasil, totalizando 32 milhões de jovens (ou 61% dos 53 milhões que formam a população brasileira com menos de 18 anos). É o que revela o estudo inédito “Pobreza na infância e na adolescência”, apresentado nesta terça-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A pesquisa tem por fonte dados oficiais da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2015, do IBGE, e considera que a pobreza na infância e adolescência ultrapassa a falta de dinheiro, levando em conta outros fatores que influenciam para rebaixar a qualidade de vida. 

É o que em economia se chama de pobreza multidimensional.
Vive em pobreza monetária, segundo o fundo, a criança ou adolescente de família com renda inferior a R$ 346,00 por pessoa por mês na zona urbana e R$ 269,00 na zona rural. 

O Unicef incluiu no estudo, por isso, a análise da qualidade do acesso, por meninas e meninos de até 17 anos, a seis direitos básicos: educação, informação (acesso à internet e também à TV), água, saneamento básico, moradia e proteção contra o trabalho infantil.

Conforme o Unicef, os 32 milhões de crianças e adolescentes em condição de pobreza são  monetariamente pobres e/ou estão privados de um ou mais direitos básicos. O órgão afirma que a ausência de um ou mais desses seis direitos coloca meninas e meninos em uma situação de ‘privações múltiplas’ - uma vez que os direitos humanos não são divisíveis, têm de ser assegurados conjuntamente.

O Unicef distingue dois tipos de privação: a intermediária (acesso ao direito de maneira limitada ou com má qualidade) e a extrema (sem nenhum acesso ao direito). Segundo o estudo, 49,7% de todas as crianças e adolescentes brasileiros (cerca de 27 milhões de jovens) enfrentam ao menos um tipo de privação dos seis direitos básicos analisados. Em média, elas e eles tiveram 1,7 de privação.

Há 14,7 milhões de meninas e meninos com apenas uma privação, 7,3 milhões com duas e 4,5 milhões com três ou mais privações, diz o Unicef. Há ainda um grupo, com cerca de 14 mil crianças e adolescentes, que não tem acesso a nenhum dos direitos analisados, permanecendo à margem de políticas públicas.

A falta de saneamento básico adequado é a privação que afeta o maior número de crianças e adolescentes brasileiros (13,3 milhões), seguido por educação (8,8 milhões), água (7,6 milhões), informação (6,8 milhões), moradia (5,9 milhões) e proteção contra o trabalho infantil (2,5 milhões).

Em termos percentuais, a privação do direito à informação é a mais alta no Brasil, alcançando um quarto (25,7%) do total de jovens de 10 a 17 anos. Cerca de 20% (10,2 milhões) dos jovens com menos de 18 anos sofrem ao menos uma privação extrema, segundo o Unicef. Saneamento (7%), água (6,7%), educação (6,4%) e moradia (4,1%) são os direitos com pior garantia de acesso.

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