sábado, 22 de setembro de 2018

Neste sábado: Botos Tucuxi e Cor de Rosa se enfrentam em Alter do Chão durante festival

Tradicional Festival do Çairé terá transmissão ao vivo pela TV Cultura. A disputa entre os botos Tucuxi e Cor de Rosa, que integra a programação do Çairé 2018, na vila de Alter do Chão, em Santarém, terá transmissão ao vivo pela TV Cultura do Pará hoje (22), a partir das 21h45, direto de Alter do Chão, oeste paraense. O Çairé é uma das manifestações mais antigas da região. É uma festa de louvor ao Divino Espírito Santo que incorpora elementos da natureza e folclore indígena. No terceiro dia de festa, tem a disputa dos Botos Tucuxi e Cor de Rosa que encenam de maneira criativa, com muitas cores e luzes a Lenda do Boto. 

A festa é tão rica em cultura e tradição que chama atenção não somente da imprensa local. Jornalistas do estado, da imprensa nacional e internacional realizam a cobertura da Festa.

A programação iniciou na quinta-feira, com o hasteamento dos mastros na Praça do Çairé, simbolizando a abertura oficial do evento deste ano, que tem como tema: “Crença e Magia. Encantos da Amazônia”. A cerimônia contou com a participação de milhares de pessoas, entre moradores, visitantes, turistas e autoridades de Santarém.

A programação iniciou no barracão central da festa com a benção aos personagens que compõem o rito religioso do Çairé. Ladainhas e cantos foram entoados e o público foi agraciado com água benta distribuída pelo padre José Côrtez. Em seguida, cerca de 2.500 pessoas seguiram pelas ruas de Alter do Chão em busca dos mastros que descansavam na Praia da Gurita. No retorno à Praça, os mastros foram enfeitados com frutas e folhagem que representam fartura, em seguida foram erguidos por homens e mulheres. No topo de cada tronco, um pássaro simboliza o Espírito Santo nas alturas.

Este ano, o Rito Religioso contou com dois novos personagens: o Sargento, que é auxiliar do capitão, e a Moça do Tamborim, que se juntou às moças das fitas representando a pureza e a inserção da mulher na musicalidade do ritual. Na ocasião, a neta de Maria Justa, ex-saraipora - um dos personagens mais importantes da Festa que é responsável pela condução do Arco do Çairé – foi lembrada durante. “Tive câncer de mama e fiz uma promessa. Vim pagar aqui no Çairé. 


Além disso, minha intenção é homenagear minha avó que faleceu há dois anos. Para mim é uma honra estar aqui. Tenho certeza que estou curada, em graça alcançada através do Divino Espírito Santo. Sinto o Espírito Santo e a minha avó ao meu lado sempre”, declarou Katiússia Lima Melo, neta de Maria Justa.

O jornalista e fotógrafo do Jornal de Nova York “Brazilian Time” acompanha o evento. “Eu descobri o Festival de Parintins ano passado e fiquei apaixonado, então comecei a pesquisar sobre os festivais da região Norte. Apareceu essa oportunidade, todo mundo falando dos botos Cor de Rosa, Tucuxi, de Çairé, então vim descobrir do que se tratava. Fiz muita pesquisa e acabei descobrindo que não são somente os botos, que existe essa coisa linda que é a parte religiosa da festa que é sensacional. 


Estou fazendo um projeto de cobrir fotograficamente os festivais importantes da região Norte para lançar um livro chamado Região Norte: o coração Cultural do Brasil. Estou muito encantado, isso é muito lindo. Estou sem dormir há 48 horas. É tanta coisa bonita para ver que a gente não consegue”, destacou.

Na capital paraense, também será possível acompanhar um dos momentos importantes do evento. “Todos os anos a TV Cultura do Pará prepara uma grande transmissão da Festa do Çairé, que é uma das principais expressões da cultura paraense. Já virou uma tradição. O Çairé é um espetáculo muito aguardado na região do Baixo Amazonas e poder levar isso para todo o Estado é muito gratificante para a equipe”, destaca Paloma Andrade, coordenadora de produção da TV Cultura do Pará.


Botos - O Festival dos Botos, como é conhecido, começou em 1997 quando a disputa foi incluída na festa do Çairé, a partir da iniciativa dos próprios moradores da vila. Antes as apresentações eram feitas de forma coreografada por um grupo local. A partir de 1998 os botos passaram a retratar a lenda, separadamente, quando se apresentaram pela primeira vez no Sairódromo - local onde a festa é realizada até hoje. A disputa entre Tucuxi e Cor de Rosa, no entanto, só começou a valer mesmo em 1999 e desde então tem sido acirrada. 


Sedução, morte e ressurreição destes personagens, entre lendas regionais, tribos indígenas, a cunhã-borari, a principaleza do lago verde, a rainha do Sairé, o tuxaua, o pajé e os pescadores compõem o enredo da festa, que ressalta a natureza, em especial o lago verde, palco da trama. Para receber a competição, o centro do sairódromo se transforma em um lago fictício onde os integrantes dos dois grupos folclóricos apresentam suas atrações. (O Liberal)

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