quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Receita médica para paciente analfabeto viraliza

Uma forma criativa de ajudar um paciente chamou atenção nas redes sociais. Com um estojo plástico cheio de fitas adesivas estampadas, criatividade e um sentimento enorme de ajudar ao próximo, a estudante de medicina Manuela Lemos e a médica Rayssa Miranda adotaram o “Método da Fitinha” para orientar os usuários com dificuldades para entender as receitas médicas. A foto de uma dessas receitas repercutiu nas redes sociais.
Publicada pela estudante Gabriela Lemos, irmã de Manuela, a postagem atingiu, em menos de 24h, a marca de 3,5 milhões de visualizações no Twitter, mais de 100 mil curtidas e compartilhamentos no Facebook e inúmeras mensagens elogiando a atitude da estudante e da médica. A publicação também movimentou a imprensa local e nacional e abriu o debate para o atendimento humanizado dentro do serviço de saúde.

De acordo com Manuela, de 21 anos, estudante do 5º ano da faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), a iniciativa faz parte da rotina da equipe, que já tentou diversas formas de orientar os pacientes, como desenhos, símbolos e cores. Mas esta foi a primeira vez que escreveram no receituário, no estilo de legenda para as fitas coladas nas caixas de medicamentos. 

No caso do paciente das fitinhas, um homem diabético e hipertenso, com idade entre 50 e 60 anos, a equipe identificou que ele não seguia o tratamento proposto e todas as semanas voltava à unidade de saúde para buscar orientação por ser analfabeto e não memorizar as explicações médicas.

“Perguntei se ele sabia ver o horário e ele disse que sim e, então, conversei com a dra. Rayssa para escrevermos no receituário como legenda para as fitinhas das caixas dele. Ela autorizou e fiz. Expliquei tudo direitinho e, pedi para ele repetir e constatamos que de fato ele tinha entendido. Agora estamos esperando ele retornar na unidade para sabermos se ele conseguiu melhorar o controle da diabetes e da hipertensão”, conta a estudante.

Manuela, de início ficou surpresa com a repercussão nas redes sociais, mas enxergou a oportunidade para que a ideia seja expandida e usada por outros profissionais de saúde. “Não esperava de jeito nenhum. Fiz a foto para ficar de modelo e mandei para minha irmã, que é vestibulanda de medicina e se interessa pelo assunto também. Ela postou no Twitter dela e eu nunca imaginei que fosse ter toda essa repercussão. 

A gente fez a receita com a intenção de ajudar o paciente e só de ter ajudado já é suficientemente gratificante. É muito positivo”, diz a estudante que viu seu número de seguidores aumentar nas redes sociais e acumula elogios de amigos, professores e pessoas que conheceram o trabalho após a repercussão na internet. Após a formatura, Manuela quer atuar em clínica médica e se especializar em endocrinologia.

As estampas das fitas são usadas para que o paciente possa fazer a associação com horário, atividades e períodos do dia. A fita prata com estrela é usada para indicar os medicamentos do início da manhã. Já a fita com frutas é para lembrar os que devem ser tomados após as refeições. 

As fitas azul e amarelo lembram o dia e a noite, por exemplo.
A Prefeitura de Belém disse que o paciente dono da receita famosa não terá a identidade revelada pela Secretaria Municipal de Saúde, mas receberá todo o apoio necessário para que entre em uma turma de alfabetização para jovens e adultos. (ORM)

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