segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Greve dos caminhoneiros começa hoje (29)

Movimento iniciou em Goiás e não deve chegar ao Pará, segundo o Sindicato da categoria. Um dia após as eleições que definiram os governadores de 13 dos 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal, os caminhoneiros de Goiás iniciam nova paralisação. A greve deflagrada hoje, na região centro oeste, não chegará ao Pará, segundo aponta o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Estado do Pará (Sindicampa), Eurico Tadeu.  Ele afirma que a entidade sindical no estado entrou na justiça para garantir a fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) quanto ao cumprimento da tabela do piso mínimo do frete por parte das empresas contratante, o que não vem ocorrendo nacionalmente. 
Aliás, a greve em Goiás foi motivada pelo descumprimento da tabela do piso mínimo do frete, que os caminhoneiros entendem como uma falha da ANTT. Na avaliação da classe, as transportadoras estão pagando um valor abaixo do frete mínimo, além de “perseguirem” os caminhoneiros que não aceitarem o valor.


Em maio deste ano, os caminhoneiros promoveram uma greve que paralisou o País. Naquela ocasião, foi negociada com o governo federal uma redução das tabelas de frete. Desde então, a ANTT estuda maneiras de penalizar o descumprimento da tabela, e por isso o prejuízo já é sentido pelos caminhoneiros. A agência tem até o dia 9 de novembro para apresentar as propostas de penalidades relativas ao não cumprimento da tabela. Entretanto, o governo federal busca evitar que a paralisação iniciada hoje, em Goiás, se alastre Brasil afora.  

Os impactos da greve anterior foram enormes para a economia brasileira, culminando queda de 1,4% no setor de transporte em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Além disso, em igual intervalo, o consumo das famílias ficou estagnado, tendo aumento de somente 0,1%; as exportações sofreram uma retração de 5,5%, e houve uma queda de 1,8% nos investimentos do país. Além desses números, analistas projetam um crescimento menor no PIB anual: segundo o Ministério da Fazenda, a perda será de 1,2 ponto percentual no produto interno bruto de 2018.

Vale lembrar que a tabela em vigor foi feita às pressas, para encerrar a paralisação de maio. Após um vai e vem de valores e cálculos, o governo federal fechou com um valor que valerá até janeiro de 2019. Ou seja: é um potencial enorme abacaxi para o próximo governo eleito. Além da tabela, houve uma redução em 0,30 real no valor do litro do diesel para caminhoneiros. Com o cumprimento da tabela, o subsídio, que se encerra no dia 31 de dezembro, poderia ser extinguido.
Encabeçada pelos caminhoneiros de Goiás, a greve começará com uma “fiscalização informal”: boqueio de pistas e de entradas das fábricas. Espera-se que caminhoneiros de Santa Catarina também possam aderir à paralisação. Se o movimento vingar, o governo já sabe que precisa ser rápido para evitar o pior. (ORM)

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