terça-feira, 16 de outubro de 2018

Pacientes internados são escolarizados nos hospitais públicos do Pará

Há três anos, a professora Sônia Maria Passos tem uma rotina diferente de todas as experiências profissionais que já vivenciou na carreira. Diariamente, ela não ministra aula em uma escola, e, sim, no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém (PA). Ela atende os alunos que estão em tratamento de longa permanência e que não podem frequentar uma sala de aula. Para que essas pessoas não tenham prejuízo educacional, a Unidade de Saúde criou o programa “Escolarização Hospitalar”, em 2014. Por meio dessa iniciativa, as crianças que “moram” no Hospital são matriculadas em uma escola municipal e acompanham o processo educacional nos próprios leitos.
“Nunca imaginei que eu iria percorrer esse caminho para a educação especial, mas, hoje eu me sinto muito feliz e grata a Deus por me dar essa oportunidade, porque trabalhar com alunos especiais é um desafio dobrado. Cada passo que eles dão, por menor que seja, para mim é uma grande vitória. É uma alegria ver o quanto essa aprendizagem é significativa na vida diária deles”, diz a professora.
E.K.S., de 10 anos, e L.G.S., de oito, estão matriculados na Escola Brigadeiro Eduardo Gomes. Ambos sofrem de uma doença neurológica congênita, que acarreta problemas no funcionamento dos nervos, mas que não impede o aprendizado. As duas crianças “moram” no Hospital desde o primeiro ano de vida. “É ótimo para o desenvolvimento dele. Não é porque sou a mãe, mas ele é muito inteligente. O trabalho que a professora faz é muito bom, perfeito. Nas férias, ele sente muita falta dela, porque ele quer conversar, brincar e eu não tenho a paciência que a professora tem”, conta a mãe do menino de oito anos, Eliana da Silva.

Outro projeto voltado para a escolarização hospitalar é o “ABC Brincando no HRBA”, que proporciona um processo educacional como forma de incluir e permitir que as crianças em tratamento possam ter atividades condizentes com suas necessidades. O projeto - implantado em 2013, em parceria com o Instituto Esperança de Ensino Superior (Iespes) - atende em média até seis crianças por dia. Todos os dias têm atividades práticas.

*Classe Hospitalar no Oncológico e no Metropolitano*

Outra Unidade gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém (PA), também realiza atividades educacionais. As crianças e adolescentes atendidos pela instituição participam da “Classe Hospitalar”, que garante aos pacientes a continuidade no ensino, de forma que eles não percam o ano escolar em virtude do tratamento médico. As aulas ocorrem todos os dias, de segunda a sexta-feira.

A acadêmica do curso de Letras, Marcela Solange, é uma das professoras do Programa. Para ela, a experiência é única. “Quando passei para o estágio, jamais imaginei que pudesse vir para um hospital. É o início de um trabalho que tem sido rico, porque é muito interessante perceber como a rotina escolar, de sala de aula e estudos, está inserida no tratamento, proporcionando que essas crianças continuem a vida, independente da doença”, afirma.

No Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua (PA), os pacientes também são atendidos pela “Classe Hospitalar”. Para comemorar o Dia do Professor (15/10), professores do programa participaram de comemoração especial em homenagem à data. “Avalio que é uma oportunidade de continuidade do aprendizado da criança que interrompe involuntariamente o aprendizado por motivos de saúde. 


Os professores transmitem os ensinamentos em leito ou em sala. De maneira lúdica e pedagógica, para que quando eles voltarem para a sociedade não serem prejudicados”, explica a coordenadora de Humanização da HMUE, Arlene Pessoa.
Governo do Pará

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