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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Governo amplia rede de hemodiálise para zerar fila de espera no estado

A hemodiálise é um tratamento que consiste na remoção do líquido e substâncias tóxicas do sangue. O aposentado Silvio Moraes, de 57 anos, realiza três sessões semanais de hemodiálise no Centro Monteiro Leite, em Belém. Ele costuma chegar mais de uma hora antes para o que considera estar longe de ser um sacrifício. “Faço hemodiálise aqui há cinco anos e o serviço é ótimo, realmente diferenciado. A gente depende dessa máquina para viver, sem ela eu não estaria aqui”, disse o aposentado.
Outro que aprova o tratamento destinado aos pacientes renais do Monteiro Leite é o comerciante Amaury Barbosa, 62 anos. “O serviço é perfeito. Graças a esse atendimento com a hemodiálise, eu me cuido e posso levar uma vida normal depois que retirei um dos rins. Só tenho a agradecer, principalmente pelo atendimento. Costumo dizer a eles, quando acaba a sessão e vou embora, uma metáfora verdadeira: sem vocês eu não vivo!”, relata o paciente.

A hemodiálise é um tratamento que consiste na remoção do líquido e substâncias tóxicas do sangue. A terapia de substituição renal é realizada em pacientes portadores de insuficiência renal crônica ou aguda, já que nesses casos o organismo não consegue eliminar tais substâncias devido à falência dos mecanismos excretores renais.

Vinculado ao Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, o Centro Monteiro Leite funciona há sete anos. Oferece 198 vagas para o tratamento ambulatorial, com 35 máquinas de hemodiálise, que funcionam em três turnos durante seis dias por semana, de segunda-feira a sábado. A unidade faz parte da política de ampliação dos serviços de hemodiálise do Governo do Estado, intensificada a partir de 2011.

“Nós chegamos ao final do segundo mandato do governador Simão Jatene zerando a fila da hemodiálise depois da abertura do Monteiro Leite. Com a demanda crescente, estamos fazendo um novo movimento para zerar a fila novamente, com a ampliação dos serviços de hemodiálise.

Mas a realidade que temos hoje é totalmente diferente da de 10 anos atrás. Praticamente triplicamos o número de máquinas e pacientes atendidos, o que salvou muitas vidas através do tratamento especializado”, destaca o secretário de estado de saúde, Vitor Mateus.

Expansão
Atualmente são 489 máquinas de hemodiálise habilitadas e em uso no Estado, distribuídas em dezenove estabelecimentos, incluindo os setores público, privado e filantrópico, em dez municípios. No Pará existem 3.441 pessoas em tratamento de hemodiálise e cerca de 230 pacientes em espera para fazer as sessões.

O processo de ampliação está previsto para encerrar até o final do ano. Em Redenção, serão aumentadas mais 14 máquinas, que vão passar a atender um total de 84 pessoas. Em Breves, no Hospital Regional do Marajó, serão 10 máquinas a mais, proporcionando atendimento a 60 pacientes.

No Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém, está programada a ampliação dos serviços de hemodiálise com 42 máquinas. Para garantir a oferta do serviço no Hospital Municipal de Santarém, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) repassa mensalmente ao município, por meio de um cofinanciamento, o valor de R$ 200 mil, conforme Portaria Nº 239 de 18 de março de 2014.

Paralelo a isso, o Hospital Regional do Sudeste do Pará (HRSP), em Marabá, passa por reforma e ampliação para ofertar serviços de hemodiálise, hemodinâmica, e ainda aumentar mais 30 leitos, criar salas multiuso para ensino – incluindo residência médica. Serão mais 20 máquinas de hemodiálise, proporcionando o acesso a 120 pacientes.

Parcerias no setor privado
No setor privado, a hemodiálise também é uma prioridade do estado graças às parcerias que ampliam este serviço. Em Capanema foram ligadas mais 20 máquinas junto a um hospital privado. Em Castanhal, foram inauguradas 67 máquinas concentradas num espaço de grande porte.

Futuramente iniciam as obras para ampliação em Abaetetuba e ainda será viabilizado um projeto em Tucuruí para a instalação do serviço de hemodiálise, numa parceria com a Eletronorte.

O projeto de ampliação da rede de hemodiálise no estado reforça o atendimento cuidadoso destinado aos pacientes renais na capital paraense. Na Santa Casa de Misericórdia, em Belém, o Centro de Terapia Renal Substitutiva Pediátrica tem um atendimento que envolve crianças e adolescentes de até 18 anos e é diversificado: nefrologia pediátrica, hemodiálise pediátrica, ambulatórios e enfermarias. O serviço de hemodiálise foi inaugurado em outubro de 2012 e tem capacidade de atendimento de crianças em programa de hemodiálise crônica.

Ainda na Santa Casa, além da realização de hemodiálise, é oferecido um total de 200 atendimentos ambulatoriais por semana, com médicos especializados e treinados para alertar e evitar que o problema renal se estabeleça.

No Instituto de Nefrologia do Hospital Ophir Loyola (HOL), a clínica nefrológica possui hemodiálise com 22 máquinas reservadas à diálise dos pacientes ambulatoriais e àqueles internados com problemas oncológicos no hospital.

Um braço isolado da nefrologia, o Serviço de Transplante Renal, possui 18 leitos reservados aos pacientes que apresentam complicações infecciosas após o enxerto ou ainda serão submetidos ao procedimento. E também oferta ambulatórios ligados ao Serviço de Hemodiálise para o acompanhamento prévio de usuários com doença renal crônica e ambulatórios que preparam e acompanham os pacientes de transplantes.

Por mês, o Serviço de Transplante Renal atende cerca de 160 pessoas, entre cirurgias e pacientes em tratamento pré e pós-operatório. Cerca de 90% das cirurgias são realizadas com rins provenientes de doadores falecidos.

Em Belém, são realizados os transplantes de rim nos hospitais Ophir Loyola e Saúde da Mulher. Em Santarém, o programa de transplantes do Hospital Regional sediado no município, já realizou seis transplantes de rins desde novembro de 2016.

A Central de Transplantes coordena todos os processos de doação, captação e transplantes de órgãos e tecidos; cadastra equipes, hospitais e clínicas para realização de transplantes; monitora e supervisiona o Sistema de Lista de Espera de acordo com a Legislação Federal. Todo o processo de registros e informações das doações e transplantes ocorre on-line com o Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde.

Em 2016, foram realizados 57 transplantes de rins no estado, em 2017, 69 e em 2018, já foram 32 até o mês de julho. Importante ressaltar que a lista de espera diminuiu para transplantes feitos no Pará: em 2016 era de 521 pessoas para rins. Até junho de 2018, são 457 pessoas esperando rins.

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