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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

HRBA comemora dois anos de transplantes com encontro entre pacientes

Em novembro de 2016, o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém (PA), realizou o primeiro transplante de rim do Oeste do Pará. Dois anos depois, a Unidade já comemora a marca de 31 procedimentos realizados. Desses, 24 foram realizados na modalidade intervivos, quando o receptor tem um familiar compatível e recebe dele o órgão. As outras sete cirurgias foram a partir de doadores falecidos. Os números são muito favoráveis, principalmente se tratando de um Programa de Transplantes localizado no interior do Pará.
 Para comemorar a data, os pacientes transplantados foram convidados para participar do primeiro Encontro Interdisciplinar para Pacientes Pós-Transplante Renal, realizado na tarde de ontem quinta-feira (22/11), no HRBA. Toda a equipe Multiprofissional envolvida no tratamento dos renais crônicos foi envolvida na programação, que contou com orientações e compartilhamento de experiências por parte dos pacientes.

O técnico de Informática, Alexandro Tenório, de 30 anos, conta a mudança que ocorreu na sua vida. “Era muito cansativo fazer as sessões de hemodiálise. Eu ficava muito debilitado, chegava em casa apenas para almoçar e descansar e já ficava pensando na próxima sessão. Então, o transplante chegou para dar um vigor a mais para a gente. Os médicos sempre nos passavam que estavam lutando, e eu nunca deixei de acreditar”, afirma.

Ele foi o sexto paciente a ser transplantado, no início de 2017. A doação partiu da mãe, com 59 anos, na época. “Ela deu a vida duas vezes por mim. Eu fico muito feliz com esse serviço. O transplante chegou e não precisamos mais sair para outra região em busca do serviço. Temos o tratamento completo aqui”, diz.

Para o diretor Hospitalar do HRBA, Hebert Moreschi, ver todos os pacientes transplantados juntos e com saúde, é motivo de orgulho. “É difícil não se emocionar, quando nós olhamos a história deste hospital enxergamos a grande lacuna que existia, em que nós fornecíamos a assistência ao paciente renal crônico, mas nós não conseguíamos tirar esse paciente desse casamento tão ruim que é com a máquina de hemodiálise. Estamos muito felizes. Os transplantados estão muito bem, com oportunidade de uma nova vida, com independência de uma máquina de hemodiálise. Quem ganha com essa evolução do HRBA, com certeza, é a população”, destaca Moreschi.

Outro que recebeu uma “nova vida” foi o estudante Jheiel Brito, de 20 anos. O procedimento realizado no jovem ocorreu em dezembro de 2016. Ele conta que foi obrigado a abrir mão de muita coisa por conta do problema renal. “O estilo de vida mudou completamente. Eu queria trabalhar, mas não podia, por causa do tempo das diálises. Com o transplante, foi uma alegria. A esperança se renovou quando eu soube que o hospital faria e que eu soube que seria o terceiro a ser transplantado”, recorda o jovem.

O tutor da equipe de Transplantes do HRBA, o nefrologista Valter Garcia, foi o responsável por conduzir a implantação do Programa de Transplantes na Unidade. “A equipe é muito competente e o hospital tem todas as condições para continuar crescendo. Em uma cidade no interior do Norte do Brasil, que tem poucos centros de transplantes na região, nós já fechamos 30 transplantes em dois anos. Sendo que já iniciamos os procedimentos com doadores falecidos. Nós atingimos a meta inicial que era realizar de 12 a 18 transplantes nos dois primeiros anos”, explica.

Doação de órgãos

Desde 2012, o HRBA realiza captação de órgãos e tecidos. E, ao longo desse período, foram realizadas 23 captações com 102 órgãos e tecidos coletados. De 2012 a setembro de 2018, foram identificados 162 potenciais doadores, mas apenas 23 se transformaram em doações, ou seja, menos de 15%. O principal motivo continua sendo a recusa familiar. 

E é nesse ponto que a Organização à Procura de Órgãos (OPO) do HRBA tem intensificado o trabalho. A equipe Multiprofissional desenvolve um trabalho permanente de orientação à população sobre como funciona o processo de doação de órgãos e a importância que o gesto tem para a própria sociedade. Só pode haver doação, se a família autorizar.

Cada doação pode beneficiar até dez pessoas, pois são vários os órgãos e tecidos que podem ser aproveitados, como coração, pulmão, fígado, pâncreas, rim, córnea, pele e ossos. O processo de captação e transplante precisa funcionar em perfeita sincronia, já que é uma corrida contra o tempo, a partir do momento em que se tem a confirmação de morte encefálica.

Hospital

O Hospital Regional do Baixo Amazonas é um estabelecimento de saúde especializado em casos de média e alta complexidades, reconhecido como um dos dez melhores hospitais públicos do Brasil, sendo referência para uma população de 1,1 milhão de pessoas residentes em 21 municípios do Oeste do Pará. A instituição é certificada pela Organização Nacional de Acreditação com o nível máximo de qualidade, a ONA 3 – Acreditado com Excelência.
(Joab Ferreira - Pró Saúde)

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