Coluna 1

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Jean Wyllys se autoexila com medo de ameaças de morte e não assume mandato

Desde a morte de Marielle Franco, as ameaças aumentaram. O parlamentar reeleito vai desistir do mandato. O deputado federal Jean Wyllys, eleito pela terceira vez, disse à Folha que não pretende voltar ao Brasil. Jean, que anda com escolta desde a morte da vereadora do Rio Marielle Franco, tem recebido mais ameaças. O parlamentar, que é professor, disse que pretende investir na carreira acadêmica. Jean afirmou ainda que não quer virar mártir, e citou o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, por sua declaração de que “mártires não são heróis”. 

Sem dizer onde está, ironizou (ou não) dizendo que ia para Cuba. Pesou na decisão de Wyllys saber do elo entre a família Bolsonaro com milicianos presos suspeitos de participar da execução de Marielle Franco.

O professor disse também à Folha que as mentiras, perseguições contra ele são muito pesadas e sem resposta à altura. Ele citou o caso do deputado federal eleito pelo PSL Alexandre Frota, que postou uma foto de Wyllys com uma declaração mentirosa de que ele era a favor da pedofilia. 

Frota foi condenado a pagar R$ 295 mil, mas o professor acha uma pena irrisória perto da reputação destruída e as consequências para a sua família. Também disse que a insegurança é muito grande para ele no Brasil, que não faz sentido passar quatro anos andando em carros blindados e com escolta.

O parlamentar disse que não tinha mais liberdade para nada, que com a difamação de pedofilia, ele não conseguia mais sair de casa, pois, mesmo com seguranças, disse Wyllys, era empurrado, xingado.

Jean reportou que desde que passou a andar com escolta, pensava em abandonar a vida pública. Mas após a morte de Marielle, “tive a noção da gravidade”.
Jean Wyllys era um dos principais adversários do então deputado federal Jair Bolsonaro, que, segundo Jean, sempre o xingou. Jean foi flagrado pelas câmeras cuspindo em Bolsonaro. 

Mas diz que a decisão de deixar o Brasil não está ligada ao fato de Bolsonaro ser presidente, mas às consequências disso, segundo ele, com a violência que aumentou com a eleição de Bolsonaro, principalmente contra LGBTs. Jean foi o primeiro parlamentar assumidamente homossexual a defender a causa LGBT.
Jean também vai se desconectar das redes sociais. (Agência Brasil)

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