Coluna 1

quinta-feira, 14 de março de 2019

O que você seria capaz de fazer por amor?

Conheça a inspiradora história de Zinda e Hildegardo Nunes. Há um ano, ela desafiou os médicos e salvou a vida do amado.  Quando se apaixonou por Hildegardo Nunes, há 32 anos, a então jovem estudante de Agronomia, Zinda Lobato, achou que a maior prova de amor que daria pelo futuro marido seria abandonar a vida movimentada em Belém e ir morar em uma fazenda no Marajó. Três décadas atrás, o lugar era ainda mais isolado que hoje. “Não tinha telefone ou TV e a energia elétrica era via gerador. Às 8 da noite, tudo era desligado”, conta Zinda, lembrando que abandonou a faculdade de Agronomia, o trabalho e as baladas com amigos na capital para acompanhar o marido nos cuidados com a fazenda. Ela só voltaria para Belém, oito anos depois, quando Hildegardo Nunes foi convidado pelo então governador Almir Gabriel para assumir a Secretaria de Agricultura e, depois, a vice-governadoria do Estado.

Salva vida
O maior desafio do casal, contudo, ainda estava por vir. Em 2017, após tratar um câncer, Hildegardo descobriu que precisaria fazer um transplante de rim. Os médicos, imediatamente, anunciaram que ele entraria na fila, mas Hildegardo não precisou esperar. 

Assim que soube da gravidade da doença do marido, Zinda decidiu: seria ela a doadora do rim. “Temos três filhos, mas os médicos não recomendam que pessoas muito jovens façam a doação porque, mais tarde, podem aparecer doenças”, explica.

Os médicos resistiram à decisão porque Zinda tem histórico de doença renal na família (o pai também passou por um transplante), mas teimosa, ela  se submeteu a quase  uma centena de exames, enfrentou uma cirurgia de seis horas e salvou a vida do marido. “Nunca duvidei que seria compatível. Meu único medo era de que os médicos encontrassem algo que me impedisse de doar. Nunca temi a cirurgia”, conta.

 Para ela, a retirada do rim foi como uma cesariana. “Você sente dores, desconforto, mas a alegria é maior. Faria tudo de novo”. Depois da experiência, Zinda mudou. “ Procuro ver o lado bom de tudo. O importante é estar com saúde e em paz. Virei meio Polyana”.

 E o casal, mudou?  “Sempre fomos muito unidos, até pelos anos que moramos sozinhos no Marajó, mas depois de tudo, acho que o Hildegardo passou a demonstrar mais os sentimentos dele”. O agradecimento emocionado, publicado pelo ex-vice-governador no aniversário de um ano da cirurgia não deixa dúvidas.   

“Até hoje quando paro pra pensar, mal consigo acreditar, tudo foi tão rápido, só não mais rápido do que a decisão da Zinda de ser minha doadora. Mesmo com a relutância inicial do nosso médico. Minha gratidão à ela será eterna, e cada vez mais profunda no meu modo contido e recluso de expressar.”

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