Coluna 1

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Diabetes assola mais de 300 mil paraenses

No Estado, mais de 60 mil diabéticos estão cadastrados em programa de acompanhamento de pacientes. Nesta quarta-feira (26) é Dia Nacional do Diabetes. Em apenas uma década aumentou em 60% o número de brasileiros com a doença. São mais de 13 milhões de pessoas com diabetes, segundo dados do Ministério da Saúde. No Pará, a estimativa de pessoas com diabetes é de 339.571. Isso corresponde a 6,3% da população adulta do Pará, que é de 5.390.02. Em Belém, a estimativa de diabetes é de 68.146 - isto é 6,3% da população adulta da cidade, que soma 1.081.683. Os dados são da última pesquisa sobre Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), em 2016.
Ainda no Estado mais de 60 mil diabéticos estão cadastrados no Sistema do Programa Hiperdia (Sishiperdia). A Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) verificou também que em todas as estatísticas do Sishiperdia em média 60% dos cadastrados no Pará são do sexo feminino, o que corresponde a 35 mil pacientes. Todas as faixas etárias são atingidas, especialmente mulheres entre 55 e 59 anos e homens na faixa de 60 e 64 anos. Crianças e adolescentes com até 18 anos já correspondem a cerca de 20% do total de diabéticos no Pará.

Por acaso, há dez anos, a professora aposentada Roseni Maria Barata, 62 anos, descobriu que tinha a doença. "Fui ao urologista para fazer exames para verificar sobre contingência urinária e acabei descobrindo que era diabética, mas ninguém na minha família tem a doença. Então, procurei o endocrinologista, entrei num projeto de pesquisa nacional na UFPA e faço o controle da doença. Antes disso, sentia tremor nas mãos, mal-estar, vista turva e outros problemas de visão, mas eu achava que era porque me alimentava mal ou estava com fome", disse Roseli.

Como ela está ciente de que a doença não tem cura, mas somente controle e para a vida toda, procura fazer a medicação em dia, faz atividade física e mantém alimentação saudável. "Tomo a medicação direitinho, faço exercícios e mantenho alimentação com zero açúcar, eliminei os carboidratos, como bastante salada e frutas. Isso me faz me sentir muito bem e consigo ter uma vida normal. Nunca fui uma pessoa de excessos, nunca fumei e bebia raramente. Com o diabetes cortei de vez", contou a professora aposentada, que é estudante do curso de Nutrição. 

Doença
A endocrinologista Natércia Queiroz esclarece que o diabetes é uma doença crônica, não transmissível e adquirida por diversos fatores, como genético e ambiental. Ainda segundo ela, a maioria dos casos de diabetes é o tipo 2, que dá no adulto, principalmente, a partir dos 40 anos de idade e está mais relacionado com os hábitos de vida do sedentarismo, que ajudam a levar à obesidade, e a má alimentação.

"É importante estar atento à doença também pelas complicações relacionadas, como renais, retinopatia, cardiovascular (infarto e Acidente Vascular Cerebral - AVC). Para prevenir e evitar o acometimento do diabetes, é fundamental ter mudança nos hábitos de vida como garantir alimentação nutricionalmente balanceada, atividades físicas, evitar alimentos gordurosos, calóricos e industrializados, evitar o tabagismo e álcool em excesso", afirma a médica.

A diabetes é caracterizada pelo excesso de glicose no sangue, causado pela deficiência do hormônio insulina, e se divide em dois tipos. O tipo 1 acomete de 5 a 10% das pessoas com diabetes. O tipo 2 aparece em mais de 90% dos casos. Quando são necessários medicamentos ou a suplementação de insulina para controle da doença. Em ambos os casos, atividades físicas e alimentação ajudam a controlar o avanço da doença que, dependendo do quadro, pode ser fatal.

Os principais sinais de diabetes descompensado é fazer muito xixi, sentir muita sede e perda de peso. "Esses sinais aparecem quando o diabetes já está com a glicemia mais alta no sangue. No início, os sinais acabam sendo inespecíficos. Por isso, é importante o rastreio e a realização dos exames de rotina, que são exames de sangue para o diagnóstico: glicemia e hemoglobina glicada", explica a médica Natércia Queiroz. 

Campanha
Para marcar a data, o Hospital Universitário João de Barros Barreto, referência no atendimento em endocrinologia e diabetes no Pará, realiza neste sábado (29) mais uma campanha de orientação para pacientes com diabetes mellitus. A ação ocorrerá no andar térreo do Shopping Pátio Belém, no bairro da Batista Campos, em Belém, das 10h às 16h. A expectativa da equipe é atingir mais de 1000 pessoas com a campanha deste sábado.

O objetivo é alertar e conscientizar sobre a doença e suas complicações. Serão realizados 
gratuitamente exames de glicemia capilar e aferição de pressão arterial. O evento, promovido pelo Programa de Atenção ao Paciente Diabético do Barros, vinculado ao Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará/Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, realizará o rastreio de diabetes tipo 2 no público adulto e também em crianças e adolescentes obesos, com idade entre 10 e 17 anos. 

Tratamento
O hospital atende pelo Sistema único de Saúde (SUS). Para o tratamento do diabetes pelo SUS no Pará, o fluxo começa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Saiba mais informações sobre a doença, como e onde o paciente deve recorrer no link: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/diabetes.

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