Coluna 1

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Conflito entre duas facções motivou massacre em Altamira; entenda

Na entrevista coletiva concedida no começo da tarde desta segunda-feira (29), o secretário Extraordinário de Estado para Assuntos Penitenciários da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe) Jarbas Vasconcelos confirmou que o massacre que deixou 52 mortos no Presídio de Altamira foi feito por membros das facções Comando Classe A (CCA) e Comando Vermelho (CV).
 "Lá em Altamira há uma facção local chamada Comando Classe A, que divide o presídio com os integrantes do Comando Vermelho, e foram esses membros do CV que foram vítimas dessa prática por membros do CCA", disse o secretário. Segundo dados da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Comando Classe A é uma das 15 facções em todo território nacional aliadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa paulista com atuação em todo Brasil e países como Paraguai e Colômbia.

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O CCA seria um dos principais braços do PCC no norte, e, como disse o secretário da Susipe, é uma facção nascida no Pará. O PCC está em constante confronto com o Comando Vermelho, facção surgida em Ilha Grande (RJ), extremamente violenta e também de grande influência nos presídios. Na busca para garantir territórios, as alianças entre os grupos nacionais com facções locais tem sido comuns.

Os membros de CCA teriam rompido o isolamento do pavilhão onde eram mantidos para chegar ao pavilhão dos integrantes do CV, já que as duas facções ficam separadas no presídio. "Foi um ataque rápido e dirigido, com a finalidade de eliminar os rivais", disse o secretário Jarbas Vasconcelos.

Para prevenir ações desse tipo, Vasconcelos disse que há um monitoramento preventivo constante, além de transferências de membros de facções que podem incitar rebeliões e massacres. Contudo, a Susipe não conseguiu se antecipar ao massacre de Altamira.

"Não tínhamos nenhum relatório de nossa inteligência reportando um ataque dessa magnitude de uma organização contra a outra. Essas refregas entre facções criminosas ocorrem no sistema prisional como um todo, e praticamente diariamente ficamos transferindo presos - líderes ou não - para outras unidades prisionais. Mas, neste caso, não tínhamos essa informação", disse o secretário.

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